O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, teria identificado sinais de interferência na condução de investigações de repercussão política sob supervisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Entre os episódios citados está o depoimento do empresário Daniel Vorcaro realizado pelo gabinete do ministro sem a presença de um representante da PF.
A avaliação ganhou força dentro da corporação após a retirada do sigilo de mensagens nas quais Vorcaro menciona Rodrigues. Pessoas que conversaram com o diretor-geral relataram desconforto com a condução do caso envolvendo o banco Master. Uma ala de delegados considera que Mendonça estaria avançando sobre prerrogativas da Polícia Federal.
Relatório sobre autoridades
A ordem para que os investigadores produzissem um relatório sobre menções a autoridades com foro no plenário do STF, encontradas no celular de Vorcaro, é apontada por esse grupo como o principal exemplo. No despacho, Mendonça determinou que informações e andamento da investigação permanecessem restritos a delegados e agentes diretamente envolvidos no trabalho.
“Em relação a outras áreas e autoridades da Polícia Federal que não estejam diretamente incumbidas das atividades investigativas, reitero que ficam restritos o acesso às informações e ao andamento das investigações”, escreveu o ministro.
Interlocutores de Rodrigues também avaliam que a decisão de retirar o sigilo de uma apuração ainda incompleta poderia ter cálculo político. A investigação, segundo essas pessoas, não estaria “nem na metade” quando o sigilo foi derrubado, a um mês do primeiro turno das eleições.
Menções a Rodrigues
Durante a audiência com um juiz auxiliar de Mendonça, Vorcaro afirmou que poderia relatar supostas condutas do diretor-geral e atribuiu a Rodrigues a responsabilidade pelo fracasso, até agora, das tentativas de estabelecer um acordo de colaboração premiada. O empresário, porém, disse manter uma relação apenas “cordial” com o chefe da PF.
Rodrigues afirma que seus contatos com Vorcaro se limitaram a apertos de mão, inclusive em um fórum em Londres que terminou com uma degustação de uísque escocês Macallan, paga pelo Master.
O episódio também foi relacionado à mudança na supervisão do caso. Rodrigues havia entregue ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório confidencial sobre as ligações de Dias Toffoli com a trilha do dinheiro de Vorcaro. Ao assumir o processo, Mendonça teria indicado que a PF não deveria investigar um ministro do tribunal sem autorização.







