Segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Política

Presidente da ADPF questiona uso de relatório da PF por Moraes

Edvandir Felix de Paiva afirmou que documento de inteligência não deveria sair da PF nem ser usado em processo criminal.

Presidente da ADPF questiona uso de relatório da PF por Moraes
Foto: Divulgação/ADPF

O presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Felix de Paiva, classificou como irregular o uso, no inquérito das Fake News, de um relatório de inteligência produzido pela PF e entregue ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo ele, documentos desse tipo são destinados ao uso interno da corporação e não devem circular fora dela.

“É sigiloso e jamais deveria ter se tornado público sob qualquer circunstância”, afirmou Paiva. Ele disse que o material reúne impressões internas e análises subjetivas, sem valor probatório para sustentar acusações em um processo criminal.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou o relatório a Moraes nesta semana, após receber uma ordem do ministro. O documento registra que não possui valor probatório e não pode ser usado como elemento de acusação. Ainda assim, Moraes utilizou o material no inquérito das Fake News para acusar André Mendonça de abuso de autoridade.

A acusação ocorreu depois de Mendonça solicitar a elaboração de um relatório da PF com conversas entre Moraes e Daniel Vorcaro. Nas mensagens, o banqueiro chegou a perguntar ao ministro se deveria deixar o país diante das investigações.

Questionamentos dentro da PF

Paiva afirmou que a divulgação do relatório causou estranheza entre delegados e levou alguns policiais a duvidar de que o documento tivesse sido produzido dentro da corporação. Ele disse não se recordar de outro caso em que relatórios de inteligência tenham sido encaminhados ao Supremo Tribunal Federal ou a qualquer tribunal.

De acordo com o presidente da ADPF, a doutrina de inteligência impede a juntada desse tipo de documento a inquéritos policiais. Esses relatórios, explicou, servem para subsidiar decisões dos diretores da PF e informá-los sobre questões internas, sem interferir na autonomia das investigações.

A ausência de autoria e o formato do documento também provocaram questionamentos. Paiva afirmou que a análise dos fatos investigados cabe ao delegado responsável pelo inquérito, que encaminha o resultado ao Judiciário e ao Ministério Público. A Corregedoria da PF pode avaliar a qualidade do inquérito, mas, segundo ele, é nova a atuação de uma unidade de inteligência nesse tipo de análise.

Paiva alertou ainda que a divulgação integral do relatório pode afetar investigações em andamento, ao revelar diligências ainda não realizadas e informar alvos que desconheciam estar sob investigação. Para ele, a situação pode ser analisada como eventual violação de sigilo.

O presidente da ADPF defendeu, por outro lado, a equipe que produziu o relatório sobre as conversas de Moraes. A Procuradoria-Geral da República havia pedido a abertura de investigação sobre possível interferência indevida na PF relacionada à ordem de Mendonça. Paiva afirmou que os policiais apenas cumpriram uma determinação judicial e preservaram o sigilo e a identificação das conversas.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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