SÃO PAULO — O gabinete de André Mendonça afirmou que os arquivos brutos recebidos da Polícia Federal em julho continuam criptografados e lacrados, sem terem sido acessados. A declaração foi apresentada para diferenciar essa requisição do debate sobre a divulgação de dados relacionados ao caso Master em setembro.
A manifestação trata da petição 16.662, que reúne um relatório da PF sobre mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, com referências ao ministro Alexandre de Moraes. O gabinete sustentou que, nesse procedimento, o plenário ainda não havia decidido pela abertura de uma investigação específica e autônoma.
Por essa razão, a defesa da posição de Mendonça foi baseada na diferença entre os estágios dos procedimentos. Em 10 de julho, na petição 16.319, o ministro havia determinado o envio ao gabinete de mídias apreendidas e dados de quebras de sigilo de diferentes apurações do Master. A ordem incluía o “material bruto sobre o qual incidiram (ou incidirão) as análises”, inclusive arquivos ainda não examinados pela polícia.
De acordo com o gabinete, a medida de julho buscava permitir a avaliação de argumentos das defesas e a verificação do cumprimento de orientações do ministro. As defesas questionavam análises policiais com base em dados de aparelhos que, segundo elas, não apareciam nos recortes apresentados ao tribunal. A comparação entre o material da defesa e o da investigação, porém, ainda não teria chegado ao momento considerado adequado.
Dados entregues e documentos tornados públicos
Em 10 e 11 de setembro, Mendonça retirou o sigilo de processos do caso Master e tornou públicos os documentos reunidos nos autos. A medida não incluiu a íntegra da extração do celular de Vorcaro, que outros ministros queriam examinar.
Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes solicitaram os dados diretamente à PF e receberam cópias em 14 de setembro, com preservação das cautelas de sigilo. Mendonça e Luiz Fux fizeram o mesmo pedido e receberam os arquivos em 17 de setembro.
Ao justificar a resistência ao compartilhamento integral na petição 16.662, o gabinete afirmou que a forma e o momento da disponibilização comprometeram diligências e reduziram a possibilidade de obtenção de outras provas. Também apontou o risco de tornar públicos elementos que a própria autoridade policial ainda não havia analisado.
A nota classificou o acesso às mídias como “desnecessário do ponto de vista processual” e afirmou que a divulgação acabou frustrando diligências e esvaziando a possibilidade de acesso a meios de prova ainda não revelados.
Em 19 de setembro, dois dias depois de receber os arquivos, Mendonça e Fux informaram à PF que não haviam conseguido acessar efetivamente o conteúdo. O ministro pediu providências técnicas para superar os obstáculos e verificar a integridade do material entregue ao gabinete.








