Apenas 13 dos 62 principais candidatos a governador analisados pelo Instituto Trata Brasil incluíram, em seus planos de governo, os quatro eixos considerados essenciais para uma política abrangente de saneamento. Todos os candidatos mencionaram ao menos um aspecto do tema, mas a maior parte das propostas ficou em níveis inferiores de detalhamento.
O levantamento considerou os postulantes com maior probabilidade de eleição ou de disputa do segundo turno, conforme pesquisas de intenção de voto divulgadas entre 22 de agosto e 4 de setembro deste ano. Os planos foram avaliados por critérios de planejamento, regionalização e coordenação para a universalização; viabilização de investimentos e superação de gargalos; governança e regulação; e definição de metas tangíveis.
Distribuição das propostas
Do total, cinco planos foram classificados como superficiais. Outros 44 receberam a classificação de transversais: 15 apresentaram dois eixos, enquanto 29 incluíram três. Os 13 restantes foram considerados abrangentes por contemplarem todos os critérios da análise.
A universalização foi o assunto mais frequente, presente em 87% dos planos. Na sequência aparecem drenagem, com 76%, saneamento rural, com 66%, investimentos, com 58%, e regionalização, com 45%. População vulnerável foi citada em 35% dos documentos; regulação, em 32%; metas tangíveis, em 26%; e governança de dados, em 24%.
A presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, afirmou que o saneamento ganhou espaço nas campanhas, mas ainda sem abordagem ampla. “A principal lacuna é a ausência de metas claras e objetivas”, disse, ao destacar também a necessidade de instrumentos de acompanhamento.
O instituto avalia que a simples inclusão do saneamento nos planos não comprova um compromisso estruturado. Para Luana Pretto, mencionar a universalização sem metas ou regulação reduz a efetividade das propostas. O levantamento também aponta que Acre, Maranhão e Amazonas continuam entre os estados com indicadores ruins, enquanto seus candidatos praticamente não citam o saneamento básico.








