São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Candidatos ao governo do DF defendem BRB público após fraude bilionária

Sem balanço divulgado, candidatos divergem sobre transparência, socorro financeiro e medidas para preservar o Banco de Brasília.

Candidatos ao governo do DF defendem BRB público após fraude bilionária

Os principais candidatos ao governo do Distrito Federal defendem a manutenção do Banco de Brasília (BRB) como instituição pública, mas apresentam propostas diferentes para enfrentar o rombo provocado por operações com o Banco Master. O eleitor deve ir às urnas em 4 de outubro sem conhecer uma solução definida para o banco.

A instituição, controlada pelo governo distrital, ainda não divulgou as informações financeiras relativas a 2025, que deveriam ter sido publicadas em março. A ausência do balanço e de um diagnóstico completo aparece como ponto central nas respostas dos candidatos.

A Polícia Federal identificou uma fraude de R$ 17 bilhões. Auditoria contratada pelo próprio BRB apontou a compra de R$ 26,6 bilhões em ativos do Master, dos quais aproximadamente R$ 12,2 bilhões seriam créditos supostamente falsos ou sem lastro de origem. Com a substituição de alguns papéis, o rombo estimado supera R$ 8 bilhões.

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa está preso e é acusado de receber propina de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em setembro, o Banco Central impediu a tentativa de compra do Master pelo banco brasiliense.

Transparência e socorro financeiro

Celina Leão (PP), atual governadora e candidata, afirma que o governo trabalha em um plano para o BRB, com negociações internacionais, venda de ativos e compra de carteiras. Ela também pretende continuar cobrando ajuda da União por meio de uma ação em andamento. A candidata diz que sua prioridade é manter o banco público e salvá-lo para os brasilienses.

Leandro Grass (PT) coloca a divulgação dos dados e do balanço da auditoria como primeira medida. Para ele, só será possível definir a participação da União depois de conhecer o tamanho do problema. O candidato cita alternativas como aporte do Fundo Garantidor de Créditos, acordos com o Banco Central e apoio da União.

Paula Belmonte (PSDB) também cobra a publicação do balanço e afirma que a falta de informações dificulta a obtenção de ajuda federal. Ela propõe salvar o banco, preservar seus servidores e retomar a regionalização do BRB.

Kiko Caputo (Novo) afirma que a ausência de um número definitivo para o rombo prejudica a busca por uma solução. O candidato pretende negociar com o futuro presidente do Brasil e com o atual ministro da Fazenda para obter aval a um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos. Também menciona a regularização fundiária e a securitização de dívidas como formas de gerar aporte e liquidez para a instituição.

Investigação e função pública

Paulo Cappelli (PSB) afirma que, depois de eleito, procurará Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, para pedir o rastreamento do dinheiro desviado. Sua proposta é recuperar os recursos antes de transferir a conta para a população do Distrito Federal. Ele defende que o BRB continue público e volte à missão original de banco de desenvolvimento do Distrito Federal.

Os candidatos também associam a permanência do banco à prestação de serviços públicos. Grass cita benefícios sociais, mobilidade urbana, cartão alimentação escolar e cartão Prato Cheio. Caputo vê o BRB como instrumento para apoiar microempreendedores e empresas de diferentes portes.

Risco de liquidação ou privatização

O governo do Distrito Federal busca um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos e tenta, no Supremo Tribunal Federal, obrigar a União a oferecer garantias para o financiamento. O Distrito Federal, porém, não tem condições financeiras de receber socorro do governo federal.

Para manter o BRB funcionando, o governo distrital segurou despesas, alterou a classificação de gastos e determinou depósitos de empresas estatais no banco. O Banco Central só adotaria uma medida como a liquidação se a instituição perdesse liquidez e ficasse totalmente impossibilitada de honrar seus compromissos.

Embora todos os candidatos defendam o BRB público, integrantes do governo do Distrito Federal voltaram a discutir a privatização depois das eleições caso não seja possível salvar a instituição. Leandro Grass classifica a privatização ou a liquidação como uma catástrofe para Brasília. Celina Leão afirma que trabalha apenas com o plano de manter e recuperar o banco.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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