São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Brasil

Documentos registram contatos de Ibaneis com Vorcaro sobre negócio do BRB

Registros do celular do banqueiro indicam discussões sobre etapas e condições da aquisição do Banco Master pelo banco do Distrito Federal.

Documentos registram contatos de Ibaneis com Vorcaro sobre negócio do BRB

Documentos anexados aos autos do caso registram conversas entre Ibaneis Rocha, ex-governador do Distrito Federal, e Daniel Vorcaro durante o avanço das tratativas para a aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Os registros indicam que os contatos trataram de aspectos da operação e ampliam o questionamento sobre o envolvimento de Ibaneis nas negociações.

Ibaneis declarou que não participou diretamente das tratativas. Vorcaro, por outro lado, afirmou ter conversado com o ex-governador sobre o negócio. Registros extraídos do celular do banqueiro indicam que Ibaneis teria discutido etapas, estratégias e condições relacionadas à compra do Master pelo BRB.

As comunicações também levantam dúvidas sobre a versão de que Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, teria conduzido sozinho as negociações. Os documentos apontam para uma interlocução direta entre Ibaneis e Vorcaro ao longo do processo.

A operação previa a aquisição do Banco Master por uma instituição financeira controlada pelo Governo do Distrito Federal. Em 2024, o BRB ampliou sua relação comercial com a instituição de Vorcaro, período que concentra parte dos documentos e das movimentações analisados nas investigações.

Naquele período, Celina Leão era vice-governadora. De acordo com os registros, ela não integrava o projeto sucessório de Ibaneis, que trabalhava politicamente para que Paulo Henrique Costa o sucedesse. Interlocutores de Celina afirmavam que ela não pretendia manter Costa na presidência do BRB caso assumisse o governo distrital.

Em maio de 2024, enquanto o BRB avançava na aquisição de carteiras do Banco Master, a Ibaneis Advocacia e Consultoria firmou contrato com o Reag Legal Claims, hoje denominado Pedra Azul FIDC. O acordo envolvia direitos sobre honorários de precatórios com valor de face de R$ 38,1 milhões.

O fundo era ligado à Reag, empresa que posteriormente passou a ser investigada pela Polícia Federal em apurações relacionadas ao Banco Master. O Banco Central liquidou a Reag e apontou “graves violações” às normas do Sistema Financeiro Nacional. A empresa também apareceu entre os alvos da Operação Carbono Oculto.

Durante comício realizado em 16 de setembro, em Ceilândia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu a crise no BRB à relação entre Ibaneis e Vorcaro: “Quem quebrou o BRB foi a ligação do Ibaneis com Vorcaro, do Banco Master.” Lula também afirmou que o BRB havia comprado títulos inexistentes no valor de R$ 12 bilhões.

As investigações sobre o Banco Master chegaram ao Supremo Tribunal Federal e ampliaram o foco sobre as relações de Vorcaro com integrantes dos Três Poderes.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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