Documentos anexados aos autos do caso registram conversas entre Ibaneis Rocha, ex-governador do Distrito Federal, e Daniel Vorcaro durante o avanço das tratativas para a aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Os registros indicam que os contatos trataram de aspectos da operação e ampliam o questionamento sobre o envolvimento de Ibaneis nas negociações.
Ibaneis declarou que não participou diretamente das tratativas. Vorcaro, por outro lado, afirmou ter conversado com o ex-governador sobre o negócio. Registros extraídos do celular do banqueiro indicam que Ibaneis teria discutido etapas, estratégias e condições relacionadas à compra do Master pelo BRB.
As comunicações também levantam dúvidas sobre a versão de que Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, teria conduzido sozinho as negociações. Os documentos apontam para uma interlocução direta entre Ibaneis e Vorcaro ao longo do processo.
A operação previa a aquisição do Banco Master por uma instituição financeira controlada pelo Governo do Distrito Federal. Em 2024, o BRB ampliou sua relação comercial com a instituição de Vorcaro, período que concentra parte dos documentos e das movimentações analisados nas investigações.
Naquele período, Celina Leão era vice-governadora. De acordo com os registros, ela não integrava o projeto sucessório de Ibaneis, que trabalhava politicamente para que Paulo Henrique Costa o sucedesse. Interlocutores de Celina afirmavam que ela não pretendia manter Costa na presidência do BRB caso assumisse o governo distrital.
Em maio de 2024, enquanto o BRB avançava na aquisição de carteiras do Banco Master, a Ibaneis Advocacia e Consultoria firmou contrato com o Reag Legal Claims, hoje denominado Pedra Azul FIDC. O acordo envolvia direitos sobre honorários de precatórios com valor de face de R$ 38,1 milhões.
O fundo era ligado à Reag, empresa que posteriormente passou a ser investigada pela Polícia Federal em apurações relacionadas ao Banco Master. O Banco Central liquidou a Reag e apontou “graves violações” às normas do Sistema Financeiro Nacional. A empresa também apareceu entre os alvos da Operação Carbono Oculto.
Durante comício realizado em 16 de setembro, em Ceilândia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atribuiu a crise no BRB à relação entre Ibaneis e Vorcaro: “Quem quebrou o BRB foi a ligação do Ibaneis com Vorcaro, do Banco Master.” Lula também afirmou que o BRB havia comprado títulos inexistentes no valor de R$ 12 bilhões.
As investigações sobre o Banco Master chegaram ao Supremo Tribunal Federal e ampliaram o foco sobre as relações de Vorcaro com integrantes dos Três Poderes.







