Um estudo do Centro de Liderança Pública (CLP) estima que o reajuste de 15% do Bolsa Família teria maior impacto na redução da pobreza se fosse concentrado em crianças e adolescentes beneficiários. Nesse cenário, 1,5 milhão de pessoas deixariam a linha da pobreza extrema — 100 mil a mais do que com a distribuição geral do aumento.
A desigualdade entre os domicílios aparece nos dados de renda. Entre as casas com crianças e adolescentes, 8,5% estão abaixo da renda per capita mensal de R$ 238, faixa associada à pobreza extrema. Nos domicílios formados apenas por adultos, o percentual é de 3%.
A diferença também se mantém na faixa intermediária de pobreza, definida por renda per capita mensal de até R$ 404. Quando há jovens na residência, 25% dos moradores estão abaixo desse limite. O índice cai para 13% nas casas só com adultos, segundo o economista Daniel Duque, do CLP.
Reajuste do benefício
O governo Lula anunciou o aumento no último dia 17, a menos de um mês da eleição. O reajuste corresponde à perda inflacionária acumulada nos últimos três anos e será aplicado igualmente a todos os benefícios do programa.
Com a mudança, o piso por família passará de R$ 600 para R$ 691. O adicional pago por criança de até seis anos subirá de R$ 150 para R$ 173. O programa também prevê adicionais para crianças e adolescentes de até 18 anos.
A análise é do Centro de Liderança Pública, organização suprapartidária fundada em 2008 por Luiz Felipe D’Avila. Os cálculos indicam que direcionar o aumento aos beneficiários mais jovens produziria um efeito maior sobre a pobreza extrema do que elevar os pagamentos de forma uniforme.







