A pobreza atingiu 32,3% da população argentina no primeiro semestre de 2026, sob o governo de Javier Milei, após subir 4,1 pontos percentuais. O avanço levou 15,5 milhões de pessoas para abaixo da linha da pobreza, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), divulgados em 24 de setembro de 2026.
A indigência também aumentou, de 6,3% para 7,5%. O resultado representa 595 mil pessoas a mais sem renda suficiente para comprar uma cesta de alimentos capaz de atender às necessidades diárias de energia e proteína. Ao todo, 3,6 milhões de argentinos passam fome.
Nos 31 aglomerados urbanos acompanhados diretamente pelo Indec, 9,7 milhões de pessoas estão na pobreza. O grupo inclui 2,5 milhões de famílias, equivalentes a 24,4% dos lares pesquisados. A indigência alcança outras 600 mil famílias, ou 5,6% do total.
Emprego, renda e atividade econômica
A piora dos indicadores ocorreu junto com o fechamento de empresas, a queda do poder de compra e a retração de setores que concentram empregos. Desde a posse de Milei, em dezembro de 2023, cerca de 30 mil empresas encerraram as atividades. A taxa de desemprego chegou a 7,9%, o maior nível desde 2021, enquanto quase metade da população economicamente ativa está na informalidade.
No primeiro semestre, a cesta básica total ficou 19,6% mais cara, acima da inflação acumulada de 16,8%. Em 12 meses, a alta chegou a 34,7%, diante de reajustes médios de 25% nos salários. O salário mínimo perdeu 39,1% do valor real desde o início do governo Milei.
A pobreza alcança 44,5% das crianças e adolescentes de até 14 anos. Os cortes nos programas sociais aumentaram a dependência das famílias em relação aos benefícios restantes. Agustín Salvia, diretor do Observatório da Dívida Social Argentina, estima que, sem esses pagamentos, a indigência dobraria, de 7,5% para cerca de 15%.
A atividade econômica recuou 2,9% em julho, a maior queda mensal dos últimos seis anos. O impacto foi concentrado no comércio, na indústria e na construção, afetados pela abertura das importações, pela redução do consumo interno e pelo fechamento de pequenas e médias empresas.
Proposta defendida por Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro apresenta para o Brasil uma orientação econômica semelhante à adotada por Milei. Seu programa prevê um “grande tesouraço” no Estado, a redução de pelo menos dez ministérios, reforma administrativa, revisão das normas trabalhistas e previdenciárias, abertura comercial e retomada das privatizações.
A proximidade entre os dois projetos foi exibida em julho, no lançamento da candidatura de Flávio, quando Milei foi ao Brasil para apoiá-lo. O presidente argentino atacou o governo Lula e pediu votos para o candidato do PL, que trata a gestão argentina como referência.
O Centro de Economia Política Argentina (Cepa) avalia que os próximos meses podem trazer novas perdas para o salário mínimo, as aposentadorias e os programas de transferência de renda. A organização também questiona a redução da pobreza anunciada em anos anteriores e atribui parte do resultado a uma mudança na metodologia, que passou a dar mais peso à renda do trabalho informal.








