São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Mensagens e documentos expõem pressão sobre Flávio Bolsonaro por dívidas e segredos

Ex-sócio Alexandre Santini guardou registros sobre festas, pagamentos, lobby e uma cobrança envolvendo o gabinete de Kassio Nunes Marques.

Segredos de Flávio: mulheres, negócios, um Rolex de R$ 300 mil e lobby com Kassio

Mensagens, áudios, documentos e fotos guardados por Alexandre Ferreira Dias Santini mostram a pressão exercida sobre Flávio Bolsonaro após o fim da sociedade entre os dois em uma loja de chocolates no Rio de Janeiro. O ex-sócio cobrava valores que dizia serem devidos e ameaçava levar aos órgãos de investigação informações sobre a vida pessoal e os negócios do senador.

A disputa começou durante a campanha de 2022 e envolveu a franquia da Kopenhagen que funcionava em um shopping da Barra da Tijuca. A empresa, Bolsotini Chocolates e Café Ltda., havia sido alvo de investigações do Ministério Público do Rio no caso das rachadinhas. A loja foi fechada, mas a relação entre Flávio e Santini continuou produzindo conflitos.

Festas e crise familiar

Santini levou à mulher de Flávio, Fernanda Bolsonaro, fotos e mensagens sobre encontros com garotas de programa. Segundo os registros apresentados por ele, os encontros eram organizados com a participação de amigos e pagos com recursos cuja origem era questionada. O Grand Hyatt, na Barra da Tijuca, era um dos locais usados. A diária mencionada nos documentos era de R$ 3 mil.

O ex-sócio também mantinha contato com Fernanda no consultório odontológico dela, em Brasília, e aproveitava as consultas para transmitir cobranças ao senador. Flávio posteriormente escreveu a Santini que havia feito escolhas erradas e pediu que ele se afastasse de sua mulher. Na mensagem, afirmou: “Me arrependi, de verdade, de muitas escolhas erradas que fiz na vida”.

As tentativas de acordo envolveram o escritório do advogado Willer Tomaz. Em 28 de setembro de 2023, Santini enviou ao gabinete de Flávio uma notificação extrajudicial cobrando R$ 1,4 milhão. No documento, afirmou que havia ficado no prejuízo com o encerramento da sociedade e registrou que Flávio teria investido R$ 200 mil em dinheiro vivo no negócio.

Pagamentos e relações em Brasília

Os arquivos reunidos por Santini também incluem comprovantes, planilhas e mensagens sobre despesas pessoais atribuídas a Flávio. Entre elas estão equipamentos de academia para uma casa comprada pelo senador por R$ 5,9 milhões. As notas fiscais indicariam gastos superiores a R$ 90 mil apenas nessa aquisição.

Outro registro envolve um Rolex de ouro branco, da linha Submariner Date, comprado por Alan Belaciano em uma loja de Brasília. A aquisição ocorreu em 10 de fevereiro de 2022 e custou R$ 305 mil. Mensagens mantidas por Santini indicariam que o relógio era destinado a Flávio.

Belaciano também aparece relacionado a uma casa no Lago Sul frequentada por pessoas interessadas em resolver pendências no governo de Jair Bolsonaro. O grupo teria mantido contatos com empresários ligados a um contrato para a compra da vacina Covaxin pelo Ministério da Saúde, posteriormente cancelado por evidências de irregularidades.

A cobrança envolvendo o STF

No fim de 2023, Santini escreveu a Flávio sobre uma atuação atribuída ao senador junto ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal. Segundo a mensagem, Flávio teria tratado diretamente com o ministro sobre os interesses de um cliente representado por Belaciano em um processo no gabinete de Kassio. Santini também mencionou um jantar com a participação do chefe de gabinete do ministro.

Após receber a mensagem, Flávio aceitou marcar uma conversa em seu gabinete. Pouco depois, Santini informou a pessoas que haviam recebido parte de seus documentos que o conflito estava encerrado. O gabinete de Kassio afirmou que é praxe atender parlamentares de todos os partidos, mas não respondeu especificamente sobre pedidos de Flávio.

Os registros ainda mostram a proximidade de Santini com Fabrício Queiroz e Frederick Wassef. Queiroz recorria ao ex-sócio para pedir ajuda financeira a Flávio. Wassef, por sua vez, atribuiu a um habeas corpus de sua autoria a anulação de relatórios e atos usados nas investigações das rachadinhas.

Santini e Flávio se conheceram no começo dos anos 2000 e mantiveram uma amizade próxima até a ruptura. Em uma gravação, o ex-sócio afirmou: “Se eu quiser, eu ponho o Flávio na cadeia”. Hoje, apesar do conflito, Santini declara apoio à candidatura de Flávio à Presidência.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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