Mensagens, fotos e documentos mantidos por Alexandre Santini, ex-sócio de Flávio Bolsonaro, associam pessoas próximas ao senador ao pagamento de despesas pessoais, presentes de alto valor e outros serviços. Os registros também mencionam uma suposta intermediação de Flávio junto ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre os documentos está uma nota fiscal de fevereiro de 2022 referente a um Rolex Submariner Date de ouro branco, no valor de R$ 305 mil. O documento está em nome do advogado Alan Belaciano, mas mensagens arquivadas por Santini indicariam que o relógio teria sido comprado para Flávio.
Belaciano também aparece em registros sobre equipamentos de academia instalados na casa do senador em Brasília. As notas fiscais somariam mais de R$ 90 mil. Quando o pagamento veio a público, Flávio afirmou que um “amigo de longa data” havia feito a compra como um “empréstimo pessoal”, que seria quitado.
Os documentos ainda apontam pagamentos relacionados a reparos na casa do senador, feitos por funcionários ligados ao grupo. Santini também teria arcado com mensalidades da academia frequentada por Flávio e por sua mulher, Fernanda Bolsonaro.
Disputa entre ex-sócios
Santini e Flávio foram sócios de uma franquia da Kopenhagen na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A relação entre os dois mudou durante um conflito financeiro. Em setembro de 2023, Santini enviou uma notificação extrajudicial e cobrou cerca de R$ 1,4 milhão, sob a alegação de prejuízo no negócio.
Durante a disputa, o ex-sócio passou a preservar e compartilhar mensagens, fotos e outros registros da convivência com o senador. Parte do material tratava de encontros privados com garotas de programa. Santini mostrou algumas imagens a Fernanda Bolsonaro.
Em uma mensagem posterior, Flávio disse ter se arrependido de “muitas escolhas erradas” e afirmou que não voltaria a errar com a família. O texto não esclarece a quais episódios o senador se referia.
Menção a ministro do STF
No fim de 2023, Santini escreveu a Flávio dizendo saber que o senador havia conversado diretamente com Kassio Nunes Marques sobre os interesses de um cliente cujo processo estava no gabinete do ministro. Segundo a mensagem, o caso seria acompanhado por Alan Belaciano, e um jantar com o chefe de gabinete de Kassio teria sido marcado para tratar do assunto.
Os registros não identificam o cliente nem o processo. Também não comprovam de forma independente que a suposta interlocução tenha ocorrido.
Flávio respondeu no mesmo dia e marcou uma reunião com Santini em seu gabinete, para uma terça-feira, às 15h. O conteúdo do encontro não foi divulgado. Depois, Santini informou a interlocutores que a disputa estava encerrada.







