O empresário paulista Alexandre Ferreira Dias Santini afirma ter reunido mensagens, áudios, comprovantes bancários, notas fiscais e fotografias relacionados a Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O acervo teria sido preservado após o fim da amizade e da sociedade comercial entre os dois, durante o período eleitoral de 2022.
Santini cobra do senador um acerto de aproximadamente R$ 1,4 milhão por valores ligados à antiga Bolsotini Chocolates e Café Ltda., franquia da Kopenhagen instalada no shopping Via Parque, na Barra da Tijuca. Ele afirma ter acumulado prejuízos com distribuição de lucros, aportes feitos no início da sociedade e despesas sem ressarcimento.
Sociedade e investigação
A aproximação entre os dois começou no Rio de Janeiro, no início dos anos 2000, depois que foram apresentados por amigos em comum. Santini tinha uma empresa de importação e exportação em parceria com Carlos Alberto Parreira, ex-técnico da Seleção Brasileira. Com o tempo, passou a frequentar eventos privados da família Bolsonaro, viagens e festas.
Quando Flávio ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro, convidou o empresário para a sociedade na loja de chocolates. Santini ficou encarregado da administração diária e do caixa. O estabelecimento depois apareceu na investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre o esquema de “rachadinhas” no antigo gabinete do senador na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Promotores levantaram a suspeita de que a loja pudesse ter sido usada para lavar recursos oriundos do recolhimento de parte dos salários de assessores e chamaram Santini de “laranja de luxo”.
Em 2018, Santini viajou de carro para Juiz de Fora (MG) com Fabrício Queiroz. Mais tarde, mudou-se para Brasília e abriu a Santitech Suporte em Tecnologia da Informação, empresa que permaneceu ativa durante dez meses e tinha como endereço registrado um lote sem construção na Asa Sul.
Disputa financeira
O empresário afirma que o investimento inicial na loja foi de R$ 1 milhão. Conforme os documentos que apresenta, ele aportou R$ 450 mil, Flávio colocou R$ 200 mil em dinheiro e Fernanda Bolsonaro transferiu R$ 350 mil por meio bancário.
Santini sustenta que, embora a participação societária fosse igual, Flávio recebeu R$ 1,7 milhão em lucros, incluindo R$ 700 mil em dinheiro vivo. Ele diz ter recebido R$ 644 mil. O empresário afirma que apresentou uma planilha ao senador em uma reunião no gabinete de Flávio no Congresso Nacional e ouviu que não receberia o valor, porque não haveria dívida e ele perderia uma eventual ação judicial.
Depois do rompimento, Santini enviou notificações extrajudiciais e apresentou uma reclamação pré-processual à Justiça de Brasília. Ele também passou a guardar registros sobre despesas pessoais atribuídas a Flávio, operações imobiliárias com dinheiro em espécie, conversas com Fabrício Queiroz sobre pedidos de ajuda financeira e imagens de relógios de luxo atribuídos ao senador.
O empresário ainda afirma possuir fotografias de mulheres, mensagens sobre a organização de encontros privados e registros de festas. A pessoas próximas, descreveu o material assim: “Se eu quiser, eu ponho o Flávio na cadeia. Com o que eu tenho na mão, ele vai preso. Sei tudo da vida dele”.
Flávio rejeitou as acusações. Em 2023, ao comentar mensagens enviadas por Santini, chamou-o de ex-sócio e ex-amigo, disse que o empresário havia pedido dinheiro e classificou as acusações como “infundadas”.







