São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Candidaturas apostam em apelidos, referências políticas e humor para ganhar visibilidade

Nomes como Taxista Samurai, Plínio Trump e Tadala convivem com slogans, fantasias e associações a Lula e Bolsonaro nas eleições de 2026.

Candidaturas apostam em apelidos, referências políticas e humor para ganhar visibilidade

A disputa por atenção nas eleições de 2026 aparece tanto nos nomes registrados para a urna quanto nas estratégias usadas na propaganda eleitoral. Entre apelidos, trocadilhos, fantasias e referências a políticos, candidatos tentam se diferenciar em meio ao excesso de estímulos das redes sociais.

Taxista Samurai, do PDT de Pernambuco; Plínio Trump, do Novo de Minas Gerais; Gugu Liberato, do Avante de Sergipe; e Tadala, do Agir do Rio de Janeiro, estão entre os nomes escolhidos. Há também candidatos que acrescentaram uma identificação ao nome eleitoral, como Dr. Célio, o Lula do Bem, do PL de São Paulo, e Silva Fotógrafo, o Corno, do Agir do Distrito Federal.

Humor na propaganda

O candidato do PT de São Paulo conhecido como Macarrão usa um trocadilho de conotação sexual em sua propaganda para deputado federal. Já Du Venturini, candidato a deputado estadual pelo PRD de São Paulo, aparece ao lado do comediante Yuri Caetano, caracterizado como Zuleide, personagem criada por ele.

Na gravação, Caetano veste roupa rosa, usa peruca loira e deixa o umbigo à mostra. A equipe de Venturini afirma que a frase usada na peça é apenas uma expressão adotada pelo candidato e por apoiadores. Venturini disse que chegou à ideia depois de assistir a um documentário sobre Enéas Carneiro e conhecer o comediante, que tem 1,1 milhão de seguidores no Instagram.

A estratégia retoma uma tradição associada a Enéas, que ganhou projeção com propagandas eleitorais excêntricas nos anos 1990 e 2000. O bordão “meu nome é Enéas 56” se tornou conhecido. Em 2002, ele foi o deputado mais votado da história até então, com mais de 4 milhões de votos.

Em 2006, Clodovil Hernandes foi o terceiro deputado federal mais votado do país. O costureiro usava trocadilhos sobre sua sexualidade nas propagandas e concorria pelo PTC com o número 3611.

Quatro anos depois, o palhaço Tiririca foi o deputado federal mais votado do país, com mais de 1,3 milhão de apoiadores. Na propaganda, dizia: “Sou eu, o abestado. Vote 2222”. Ele ocupa uma cadeira na Câmara dos Deputados desde então e concorre à reeleição pelo Ceará.

Atenção e voto de protesto

Para Anna Bentes, professora da Escola de Comunicação da FGV, a economia da atenção ajuda a explicar a comunicação eleitoral atual. Em um ambiente marcado pelo excesso de informações e pela rolagem infinita, candidatos recorrem a elementos capazes de provocar reações emocionais.

“seja com raiva, seja com nojo, seja com tristeza ou alegria, nesse mar de informações”, afirmou Bentes ao descrever os estímulos usados para conquistar a atenção do público.

As referências políticas também aparecem nas candidaturas. Em Alagoas, o comerciante Daniel Vieira da Silva, do PT, concorre a deputado estadual com o nome de urna Lula de Alagoas. Ele havia anunciado que desistiria por falta de repasses do fundo eleitoral, mas mudou de decisão após receber R$ 39 mil do partido.

Em São Paulo, o médico Célio Morais, do PL, adotou o nome Dr. Célio, o Lula do Bem. A escolha motivou um pedido de impugnação da candidatura pela Procuradoria Eleitoral, que alegou possibilidade de falsa associação com o presidente. A candidatura recebeu R$ 600 mil do Diretório Nacional do PL.

No Distrito Federal, o motorista de aplicativo Alessandro Mito, do Podemos, tenta uma vaga de deputado distrital como sósia de Jair Bolsonaro. O partido repassou R$ 8.000 à campanha.

Em Minas Gerais, Plínio Vicentin Junior, 59, disputa uma vaga de deputado federal pelo Novo com o nome Plínio Trump. Morador de Varginha, ele informa em seu site de campanha ter três décadas de carreira como piloto de helicóptero. A identidade visual reúne as bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos, a Estátua da Liberdade e o Capitólio dos EUA.

Em Pernambuco, Sargento Bigode concorre a deputado estadual pelo Missão. Ele ganhou notoriedade após ser punido pela Polícia Militar em janeiro deste ano por usar um bigode que ultrapassava a linha do lábio inferior. No mesmo estado, Taxista Samurai disputa o cargo pelo PDT e publica nas redes sociais vídeos com nunchaku.

Para Emerson Cervi, professor titular do Departamento de Ciência Política da UFPR, candidaturas desse tipo podem atrair voto de protesto, definido como uma manifestação de crítica ao sistema, sem necessariamente representar apoio ao candidato ou ao partido. “Visibilidade negativa, que é gerada pela cobertura e debate político negativo, é o principal motivador”, disse.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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