O comprometimento da renda das famílias alcançou 28,9% em junho, o maior nível da série histórica, enquanto o endividamento chegou a 49,9% em janeiro. Os dados foram destacados pelo Banco Central no relatório de política monetária, que relacionou os indicadores ao custo elevado do crédito e à expansão das dívidas.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, defendeu medidas preventivas e de transparência para conter o avanço do endividamento. Ele afirmou que a oferta de crédito predatório — concedido sem avaliação da capacidade de pagamento e com juros altos — exige ações voltadas à cidadania financeira.
Cerca de 100 milhões de pessoas têm dívidas no cartão de crédito. Segundo Galípolo, metade desse grupo paga juros próximos a 15% ao mês e compromete uma parcela elevada da renda. “Se não tiver medidas macroprudenciais, dificilmente essas pessoas vão conseguir escapar desse ciclo”, disse.
Indicadores das famílias
O BC calcula o endividamento a partir do saldo das dívidas das famílias no mês de referência, fevereiro, em relação à renda disponível acumulada nos 12 meses anteriores. O índice permanece em patamar historicamente alto desde o fim de 2021, com relativa estabilidade após atingir o recorde de 49,9% em janeiro.
Já o comprometimento de renda compara o saldo das dívidas com a renda mensal das famílias. O indicador subiu nos últimos meses e alcançou o recorde de 28,9% em junho.
Para a autoridade monetária, a inclusão bancária, as inovações tecnológicas e as condições favoráveis do mercado de trabalho ampliaram o acesso ao crédito. Mais recentemente, o aumento do custo dos empréstimos durante o ciclo de aperto monetário e a procura por crédito emergencial, geralmente mais caro, também elevaram o comprometimento da renda.
Entre as medidas em avaliação está a alteração do FPR (Fator de Ponderação de Risco) para operações de cartão de crédito e empréstimo pessoal sem garantia, também chamado de não consignado.








