São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Atrasos de famílias no crédito livre chegam a 8%, maior nível da série do BC

Inadimplência avançou em agosto, acompanhada por juros mais altos, endividamento maior e aumento dos atrasos em várias modalidades.

Atrasos de famílias no crédito livre chegam a 8%, maior nível da série do BC

A inadimplência das famílias nas operações de crédito livre chegou a 8% em agosto, o maior nível da série histórica do Banco Central, iniciada em março de 2011. Os dados foram divulgados pela autoridade monetária nesta terça-feira (29).

Na prática, a cada R$ 100 emprestados nessa modalidade, R$ 8 estão com pagamentos atrasados há mais de 90 dias. O indicador subiu 0,2 ponto percentual em agosto e acumulou alta de 1 ponto percentual em 12 meses.

Atrasos avançam em diferentes modalidades

Considerando todas as operações de crédito com recursos livres, a inadimplência ficou em 6,6% da carteira, também com avanço de 0,2 ponto percentual no mês. Entre as empresas, o índice aumentou 0,1 ponto percentual e alcançou 4,3%.

O cartão de crédito concentrou alguns dos maiores níveis. No rotativo, a inadimplência passou de 65,5% em julho para 66,2% em agosto, alta de 0,7 ponto percentual. No conjunto do cartão, que inclui as modalidades rotativa e parcelada, o índice atingiu 10%, aumento de 0,5 ponto percentual.

Também houve elevação no crédito pessoal consignado, para 3,8%, e no não consignado, para 11%. Entre as operações sem garantias, a taxa chegou a 15,6%.

No consignado para trabalhadores do setor privado, o índice passou de 5,2% em setembro de 2025 para 10,6% em agosto. O Banco Central relacionou parte desse avanço a uma falha na implementação do sistema de transferência automática dos descontos em folha quando o trabalhador muda de emprego. A possibilidade de usar o FGTS como garantia no programa Crédito do Trabalhador só foi anunciada pelo governo em junho.

Efeito dos juros e da regra contábil

O chefe do departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, afirmou que os índices atingiram os maiores níveis da série histórica em diferentes recortes, incluindo o crédito total, o crédito livre, o crédito direcionado e as operações para pessoas físicas. “A taxa de inadimplência está no nível mais elevado da série histórica do Banco Central”, disse.

Segundo o Banco Central, uma parcela do crescimento recente não corresponde a novos atrasos imediatos. A mudança nas regras contábeis deu às instituições mais flexibilidade para definir quando uma operação será baixada a prejuízo, permitindo que determinados créditos permaneçam por mais tempo no balanço quando houver expectativa de recuperação. Estudo da autoridade monetária estima que esse efeito represente cerca de metade do avanço registrado na inadimplência.

A taxa média de juros do crédito livre para as famílias subiu 1,4 ponto percentual em agosto e alcançou 61,7% ao ano. No cartão rotativo, a taxa aumentou 8,7 pontos percentuais em relação a julho, para 444,9% ao ano. No cartão parcelado, o avanço foi de 2,8 pontos percentuais, para 192,1% ao ano.

O endividamento das famílias chegou a 49,9% em julho, alta de 0,2 ponto percentual no mês. O comprometimento da renda permaneceu em 28,7%, no mesmo nível de junho. Os dois indicadores são divulgados pelo Banco Central com defasagem de dois meses.

Renegociação de dívidas

O governo Luiz Inácio Lula da Silva aposta em novas etapas do Desenrola Brasil para renegociar dívidas. Na fase lançada na última semana, serão destinados até R$ 15 bilhões à compra de carteiras de pessoas físicas com atrasos de 2 anos a 4,5 anos em cartão de crédito e crédito pessoal. A meta é renegociar R$ 150 bilhões em dívidas.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.

Em alta

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5