Um movimento progressista em Minas Gerais passou a estimular o voto casado “Marécio” para o Senado, combinando os nomes de Marília Campos, ex-prefeita de Contagem pelo PT, e Aécio Neves, deputado do PSDB. A articulação aproxima os antigos adversários históricos nas eleições de outubro.
A estratégia busca favorecer os dois candidatos mais bem posicionados e dificultar a eleição de nomes da direita no Estado. Marília aparece na liderança em todos os cenários apresentados, enquanto Aécio ocupava a segunda posição na última pesquisa em que foi incluído.
Entre os principais nomes da direita estão Domingos Sávio, deputado do PL ligado à família Bolsonaro; Carlos Viana, senador do PSD que aparece como o mais bem colocado desse grupo; e Marcelo Aro, do PP. Aro foi secretário do governo de Romeu Zema, do Novo, mas rompeu com o ex-governador e candidato à Presidência.
Relação entre os candidatos
As campanhas de Marília e Aécio avaliam positivamente a mobilização. Os dois mantêm uma relação construída a partir de 2005, quando Aécio governava Minas Gerais e Marília havia sido eleita, em 2004, a primeira mulher prefeita de Contagem. Ela foi reeleita em 2008. Aécio havia sido eleito governador em 2002 e conquistou um novo mandato em 2006.
Aécio pode ser o maior beneficiário da composição. Apesar de ser amplamente conhecido em Minas, ele também registra a maior rejeição entre os nomes citados, em torno de 52%, conforme o Datafolha de julho. Marília é menos conhecida no Estado e aparece com a segunda maior rejeição, associada ao desempenho do PT em Minas. O voto “Marécio” poderia, assim, favorecer ambos.
Aécio havia anunciado que não disputaria cargos eletivos depois de 40 anos de mandatos, mas voltou à corrida após as renúncias de Gustavo Galassi, do PSDB, e Marcelo Heringer, do PDT. Os dois integravam a coligação entre PDT e a Federação PSDB-Cidadania. Com a mudança, Aécio passou a ser o único candidato ao Senado na chapa de Alexandre Kalil, do PDT, que disputa o governo de Minas.







