São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Violência política começa quando o adversário deixa de ser reconhecido como interlocutor

A disputa por símbolos, agendas e espaço público pode transformar diferenças políticas em processos de exclusão, afirma análise.

Violência política começa quando o adversário deixa de ser reconhecido como interlocutor
Foto: Thiago Ávila. Reprodução/redes sociais

A violência política pode começar antes da agressão física, quando o adversário deixa de ser reconhecido como interlocutor legítimo e passa a ser tratado como uma presença intolerável no espaço comum. O argumento aparece a partir de um episódio envolvendo a placa da Rua Estado de Israel, em Higienópolis, coberta com a frase “Palestina livre do rio ao mar” por um candidato a deputado federal na véspera do Iom Kippur.

O gesto é interpretado como uma disputa sobre quem pode permanecer e ser reconhecido no espaço público. Embora o slogan possa ser lido como defesa da liberdade palestina, sua inscrição sobre uma homenagem a Israel, em um bairro de forte presença judaica e na data de início do Iom Kippur, é apresentada como uma mensagem de exclusão.

A expulsão também pode ocorrer pela organização da agenda pública. A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados marcou debates de interesse da comunidade judaica durante o Iom Kippur, período em que judeus são convidados a jejuar e a se resguardar. Com isso, o grupo afetado pelo debate teria sua participação praticamente inviabilizada.

A lógica, segundo a análise, não se restringe a um campo político. Em 2018, candidatos exibiram, partida ao meio, a placa que homenageava Marielle Franco. A identidade do alvo muda, mas o gesto de atacar um símbolo no espaço comum permanece.

A Constituição de 1988 é apresentada como contraponto à lógica da expulsão ao estabelecer, entre os objetivos fundamentais da República, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária. Referências a Byung-Chul Han e Barbara F. Walter associam a perda de legitimidade da diferença à erosão democrática, à divisão em torno de identidades e à legitimação gradual da violência política.

O estudo Caminhos para a Paz, da ONU e do Banco Mundial, sustenta que conflitos civis costumam ser precedidos pela exclusão de grupos e pela deterioração institucional. Nesse quadro, a intimidação e a agressão simbólica passam a integrar a disputa política, enquanto o debate público se empobrece.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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