O Citigroup firmou um acordo com a Coinbase para permitir que clientes corporativos aceitem pagamentos em stablecoins, moedas digitais atreladas ao dólar. A operação avança enquanto a regulamentação das criptomoedas pelo Congresso dos Estados Unidos segue lentamente e conecta serviços bancários tradicionais à infraestrutura de blockchain.
A Coinbase fornecerá os serviços de pagamento em stablecoins e a infraestrutura que converte automaticamente os ativos digitais em moeda fiduciária. O Citi atuará como banco de registro e será responsável pela liquidação dos recursos.
Na prática, clientes institucionais do banco, incluindo multinacionais, poderão aceitar stablecoins no checkout por meio dos serviços de processamento de pagamentos do Citi. Usuários dos serviços de pagamento da Coinbase também poderão recorrer às funcionalidades bancárias do Citi para aceitar, manter e efetuar pagamentos em uma estrutura semelhante à de uma conta bancária.
Os valores recebidos serão convertidos instantaneamente em stablecoins. Os tokens ficarão sob custódia da Coinbase e terão remuneração anual de 3,75%.
Shahmir Khaliq, chefe de serviços do Citi, afirmou que a colaboração busca conectar ativos digitais a setores da economia que ainda dependem de moedas emitidas por governos. “Isso faz parte da conclusão desse quebra-cabeça”, disse.
Brett Tejpaul, responsável pela Coinbase Institutional, declarou que a parceria permitirá transições entre dólares e stablecoins sem que consumidores e empresas precisem deixar o sistema bancário convencional. A proposta também pretende viabilizar pagamentos internacionais mais rápidos e baratos.
Expansão da tokenização
O acordo foi anunciado após o fracasso do Clarity Act no Senado dos Estados Unidos. A proposta enfrentou resistência relacionada à disputa entre bancos e empresas de criptomoedas sobre a possibilidade de plataformas digitais oferecerem rendimentos a detentores de stablecoins.
Khaliq disse que o Citi continua atuando dentro de sua licença bancária e das regulações atuais: “Não estamos prejudicados.”
Separadamente, o Citi informou que está ampliando seus serviços de token, baseados em uma blockchain própria, para o Japão e os Emirados Árabes Unidos. A solução permite que multinacionais transfiram dinheiro instantaneamente, 24 horas por dia, todos os dias da semana, e passa a operar em sete jurisdições, incluindo os Estados Unidos.
Citi, JPMorgan Chase e outros bancos também pretendem lançar um sistema de depósitos tokenizados no ano que vem. O Citi integra ainda um grupo de quase vinte empresas que desenvolvem uma stablecoin conjunta e mantém um negócio de negociação de ações de empresas privadas via blockchain para clientes institucionais e de alta renda.
No Brasil, o movimento se relaciona a um ecossistema que inclui o Pix e os testes do Drex conduzidos pelo Banco Central. O Pix realiza bilhões de transações a cada mês, enquanto o Drex é voltado à tokenização de ativos e à liquidação programável. Grandes bancos brasileiros já participam de iniciativas semelhantes às estruturas que o Citi organiza nos Estados Unidos.








