BRASÍLIA — Pelo menos oito policiais circularam pelo plenário do Supremo Tribunal Federal durante a sessão desta terça-feira, em uma presença considerada incomum. Os agentes observaram os movimentos da plateia e chegaram a advertir uma pessoa que usava mímicas para se comunicar à distância. Com a exigência de silêncio, os presentes passaram a trocar bilhetes.
Os celulares das pessoas no plenário foram lacrados. A TV Justiça manteve os áudios dos embates, mas direcionava as imagens para Edson Fachin quando as discussões entre os ministros se intensificavam. Ainda assim, a plateia assistiu a episódios de dedos em riste.
A sessão acabou interrompida depois que Flávio Dino pediu vista. As críticas do ministro à condução dos trabalhos por Fachin aumentaram na retomada, por volta das 15h30. Antes disso, no intervalo, aproximadamente às 13h, Dino fez um aceno de paz ao presidente do STF e afirmou que as críticas dirigidas a ele não eram pessoais.
Dino também conversou com André Mendonça. Segundo interlocutores de ambos, os dois trataram dos procedimentos adotados por Fachin, sem discutir o mérito do julgamento. Depois de deixar o plenário, Dino foi acompanhado por Gilmar Mendes até a sala de lanches, onde ambos deram gargalhadas antes de retornar aos assentos.
Confrontos no plenário
A tensão entre Alexandre de Moraes e Mendonça ficou evidente após Fachin concluir a leitura do relatório. Sentados lado a lado, conforme a ordem de posse no STF, os dois não interagiram durante a exposição do presidente da corte. Em seguida, Moraes acusou Mendonça de plantar uma investigação contra ele no caso Master, e Mendonça o chamou de mentiroso.
Mendonça, pastor evangélico na Igreja Presbiteriana do Brasil, manteve as mãos em forma de oração enquanto não falava. Também batucou na mesa e marcou documentos com uma caneta marca-texto cor-de-rosa. Moraes balançou a cadeira, consultou o celular e fez anotações nos autos físicos.
Cármen Lúcia apoiou o queixo ou a testa nas mãos em diferentes momentos da sessão. Gilmar Mendes manuseou mensagens impressas apreendidas no celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master preso na Operação Compliance Zero.
Dias Toffoli permaneceu durante todo o julgamento e reforçou a declaração de suspeição feita em março sobre as investigações do Master. Ele pressionou a área entre as sobrancelhas em algumas ocasiões e cochichou com Gilmar.
Ao fim, por volta das 18h20, Fachin deixou o plenário acompanhado por Cármen Lúcia e Luiz Fux. Os lugares reservados a ex-presidentes do Supremo ficaram vazios. Na sala de lanches, novas gargalhadas foram ouvidas.







