SÃO PAULO — Fernando Haddad afirmou nesta quarta-feira, 16, que o pedido de vista do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), não deve ser tratado como uma tentativa de adiar para depois das eleições as discussões sobre o caso envolvendo o Banco Master e autoridades federais.
O pedido de Dino interrompeu a votação realizada nesta terça-feira no julgamento de uma petição que menciona conversas entre o ministro Alexandre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Haddad defendeu que as informações já disponíveis sobre as investigações sejam apresentadas ao público antes do primeiro turno, ainda que os inquéritos não tenham sido concluídos.
“À primeira vista eu não vejo isso [pedido de vista de Flávio Dino] como uma medida protelatória. E quero crer que não seja”, disse o candidato do PT ao governo de São Paulo em uma coletiva de imprensa após agenda na capital paulista.
Haddad afirmou que as próximas três semanas deveriam ser usadas para ampliar a transparência sobre os dados relacionados ao caso. Para ele, informações consideradas seguras e incorporadas pela Polícia Federal ao inquérito devem ser conhecidas, mesmo antes do encerramento de todas as etapas da investigação.
O petista classificou a transparência total como crucial para o momento e vinculou a divulgação dos dados à possibilidade de os eleitores escolherem os governantes com segurança. Na avaliação apresentada por Haddad, informações fidedignas já disponíveis podem contribuir para aperfeiçoar o processo de escolha política.
A posição diverge da defendida por outros petistas e aliados do governo, que avaliam que o processo no STF estaria contaminando as eleições e preferem que a discussão seja retomada depois do pleito. O senador Jaques Wagner (PT-BA) defendeu essa linha em entrevista concedida na manhã desta quarta-feira, 16, ao dizer que o debate sobre o envolvimento entre ministros do STF e o Banco Master deveria ficar para depois das eleições.
Haddad, por outro lado, sustentou que a eventual conclusão posterior dos inquéritos não impede a divulgação das informações já disponíveis, desde que elas sejam confiáveis.







