São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Brasil

Denúncias na embaixada grega incluem acidente com soda cáustica e jornada ampliada

Funcionários e ex-funcionários levaram ao Sindnações relatos de assédio, falta de EPIs e tarefas fora das atribuições na representação em Brasília.

Denúncias na embaixada grega incluem acidente com soda cáustica e jornada ampliada

Funcionários e ex-funcionários da Embaixada da Grécia em Brasília denunciaram ao Sindicato Nacional dos Servidores de Embaixadas (Sindnações) episódios de assédio moral, falta de equipamentos de proteção e ampliação das tarefas durante a gestão da embaixadora Eleni Lianidou. O sindicato encaminhou a reclamação ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e ao Itamaraty.

Um dos relatos envolve o uso de soda cáustica na limpeza do piso da embaixada. Em 10 de março, Rosa*, que trabalhou na representação por quase dez anos, disse ter sido orientada a espalhar o produto e esfregar o chão. Sem equipamentos de proteção, ela usou roupas comuns e chinelos. Depois do serviço, relatou falta de ar, ardência e coceira nas pernas. No dia seguinte, pagou uma consulta particular.

A NR-15, do Ministério do Trabalho, classifica o manejo e a fabricação de soda cáustica como atividade de insalubridade média. A NR 6 determina que o empregador forneça equipamentos de proteção individual, oriente e treine os funcionários e exija o uso adequado. Entre os equipamentos previstos estão luvas de PVC ou nitrila, óculos de proteção com vedação, máscara facial com filtro químico, avental e botas impermeáveis.

Tarefas além do cargo

Os funcionários afirmam que atividades de zeladoria e manutenção passaram a incluir serviços que não faziam parte de suas atribuições. Rosa disse que cozinhava, lavava e passava roupas, além de subir e descer escadas. Também relatou que a embaixadora desligou o ar-condicionado enquanto ela trabalhava em um ambiente fechado.

A ex-funcionária deixou a embaixada pouco antes de um jantar realizado em 14 de maio para celebrar a indicação de Laudemar Gonçalves de Aguiar a embaixador brasileiro na Grécia. Em abril, ela havia sido encarregada da preparação do evento, incluindo decoração, organização e cozinha, fora do horário habitual. Segundo seu relato, Lianidou recusou o pagamento adicional.

Durante o jantar, uma funcionária administrativa disse ter organizado a comida apesar de ser alérgica a frutos do mar. Ela também serviu a sopa e teve uma reação alérgica, com necessidade de tomar anti-histamínico. Outro trabalhador afirmou que houve gritos na cozinha e relatou ter sido acusado, junto com outro garçom, de pegar uma colher de café de prata. Os dois tiveram de mostrar suas bolsas à secretária da embaixadora.

Reclamações e apuração

Raimundo Oliveira, presidente do Sindnações, afirmou que as denúncias também tratam de proibição do uso de banheiros, desrespeito ao horário de almoço e retirada de eletrodomésticos usados pelos empregados, incluindo uma geladeira coletiva para guardar marmitas.

Em junho, o embaixador grego na Argentina, Efstathios Paizis Paradelis, foi ao Brasil para ouvir cerca de dez funcionários e ex-funcionários da embaixada, além de dois servidores de ministérios. Em agosto, voltou para colher o depoimento de Lianidou, que se recusou a falar.

Em um e-mail enviado a embaixadas europeias no Brasil, Lianidou acusou perseguição e disse sentir medo. Ela pediu informações sobre casos anteriores envolvendo representações europeias em Brasília e mencionou o assassinato do embaixador Kyriakos Amoiridis, morto no Rio de Janeiro em 2016.

Lianidou assumiu a representação diplomática em 16 de janeiro, após 35 anos de carreira. Ela não respondeu aos pedidos de entrevista. O Itamaraty, a Embaixada da Grécia e o governo grego também não responderam aos questionamentos.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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