SÃO PAULO — O setorial religioso do PT atribui a decisões do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), parte do crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) entre os evangélicos no segundo turno. Pesquisa Quaest indica que o senador avançou sete pontos porcentuais no segmento, de 51% para 58%, enquanto Lula permaneceu com 28%.
Na avaliação de petistas, Mendonça mobilizou eleitores indecisos ao retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reunia mensagens entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão abriu um confronto entre os dois ministros do STF. Mendonça é evangélico e foi indicado ao tribunal pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que havia prometido escolher para a Corte um nome “terrivelmente evangélico”.
Gutierres Barbosa, coordenador do setorial inter-religioso do PT, classificou o avanço de Flávio como temporário. “Flávio vinha caindo entre os evangélicos, mas teve um novo crescimento porque o ministro André Mendonça acabou mobilizando esse segmento, mas é uma coisa sazonal”, afirmou.
O partido também reconhece o desgaste de Lula provocado pela associação, feita nas redes sociais da campanha de Flávio, entre o presidente e Moraes. Petistas avaliam ainda que houve desencontro na estratégia para lidar com o ministro do Supremo.
Na reta final antes do primeiro turno, o PT pretende questionar a imagem de Mendonça e de Nunes Marques, ambos religiosos e indicados por Bolsonaro. A estratégia é relacioná-los ao caso envolvendo Vorcaro e sustentar, entre eleitores religiosos, que os ministros não demonstrariam a seriedade atribuída a eles.
Mendonça confirmou ter recebido Vorcaro pessoalmente no início de 2025. Segundo o ministro, o encontro ocorreu na sede, em São Paulo, de um instituto educacional mantido por ele e durou menos de 30 minutos. A reunião foi organizada a pedido de pessoas ligadas à Igreja Batista da Lagoinha, com intermediação do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), alvo de uma operação da Polícia Federal sobre tráfico de influência em tribunais superiores.
Mensagens trocadas por WhatsApp por Vorcaro apontam pagamento de R$ 500 mil ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho de Nunes Marques. A assessoria de Kevin negou que ele tenha prestado serviço ao Banco Master ou recebido dinheiro de Vorcaro. O ministro também afirmou que nunca votou a favor do banco e que seu filho não recebeu dinheiro do banqueiro.







