BRASÍLIA — A Polícia Federal encontrou, no celular da lobista Roberta Luchsinger, mensagens sobre contratos da petroquímica Unigel e uma procuração. Os documentos foram enviados a Gustavo Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA), em 3 de fevereiro de 2024.
“Eu vou te mandar os contratos da unigel tb tá”, escreveu Roberta. Na sequência, ela acrescentou: “e os de compra e venda tb”. As defesas de Roberta e Gaspar não se manifestaram. A Unigel afirmou que nunca manteve contrato com a lobista. A Petrobras declarou que seguiu suas normas de governança.
Roberta acompanhou executivos da Unigel em uma visita ao BNDES, em setembro de 2023. Em julho de 2024, ela pediu ajuda a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e então chefe de gabinete de Lula, para viabilizar uma reunião com Magda Chambriard, presidente da Petrobras. Na mensagem, afirmou que um executivo estava preocupado porque a presidente da estatal ainda não havia recebido representantes da empresa.
O diretor de relações governamentais da Unigel é Leo Slezynger, que mantém relação de longa data com Roberta. Ela também o acompanhou em uma reunião com Aloizio Mercadante, presidente do BNDES. Henri Slezynger, pai de Leo e presidente do Conselho de Administração da empresa, participou do encontro. Segundo o banco, foi discutido um possível apoio financeiro para a construção de uma fábrica de hidrogênio verde. O projeto não avançou.
Em 2018, quando concorreu a deputada estadual em São Paulo pelo PT, Roberta recebeu R$ 10 mil de doação de Leo Slezynger, valor equivalente a 16% da arrecadação de sua campanha. Ela não foi eleita e ficou como suplente.
Disputa com a Petrobras
Quando as mensagens foram enviadas, a Unigel negociava o encerramento de um arrendamento de plantas de fertilizantes da Petrobras em Sergipe e na Bahia. O contrato tinha previsão de término em 2030. Em maio de 2025, foi firmado um acordo. O Tribunal de Contas da União informou que a estatal havia estimado prejuízo potencial de R$ 1,23 bilhão com a devolução das fábricas.
A Proquigel Química, subsidiária da Unigel, firmou 19 contratos com a Petrobras no valor de R$ 176,8 milhões a partir de 2025. Todos foram realizados por dispensa ou inexigibilidade de licitação.
A PF investiga suspeitas de tráfico de influência de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente e amigo de Roberta. Investigadores apontam indícios de que ela tinha autorização para fazer negócios em nome dele.
Roberta fez 42 visitas aos ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Social, ao Palácio do Planalto e ao BNDES, acompanhada de executivos da Unigel. Apenas uma dessas visitas foi registrada na agenda oficial.
A Unigel também negou que Roberta a tenha representado institucionalmente ou recebido remuneração da companhia. A Petrobras afirmou que as tratativas para encerrar as controvérsias do arrendamento seguiram as normas internas. O acordo foi homologado pelo Tribunal Arbitral, e as negociações foram conduzidas por comissões técnicas e submetidas às instâncias responsáveis.
A relação entre as empresas começou em 2019, quando a Unigel passou a explorar fábricas de fertilizantes da Petrobras que estavam paralisadas. Em meados de 2023, a companhia alegou que a operação havia deixado de ser economicamente viável por causa da mudança nos preços dos insumos.
No fim daquele ano, as empresas acertaram um modelo de tolling, pelo qual a Petrobras forneceria gás natural e receberia os fertilizantes industrializados. O modelo não entrou em vigor. O TCU concluiu que ele geraria prejuízo de R$ 487 milhões para a estatal em oito meses e registrou “indícios robustos de irregularidades graves”.







