SÃO PAULO — A internacionalização passou a funcionar como um vetor de escala para deeptechs B2B brasileiras, especialmente em soluções que dependem de validação técnica e adoção por empresas. A busca por clientes em outros mercados tem levado startups de educação, automação e Inteligência Artificial a reforçar produto, vendas, suporte, segurança e governança.
Dez startups de São Paulo foram escolhidas para a delegação do Web Summit 2026, em Portugal, previsto para novembro. A participação em missões e exposições internacionais amplia o contato com compradores, parceiros e investidores, além de testar a integração das soluções, a capacidade operacional e a entrega em ambientes regulados e com contratos de maior porte.
Exportação e receita em moeda forte
Entre as frentes com maior potencial está a exportação de softwares B2B de alto valor. Empresas brasileiras de Inteligência Artificial aplicada à otimização de processos empresariais, como BPMS, e do setor de educação técnica buscam validação na Europa para diversificar receitas e aumentar suas avaliações. Esse movimento também exige documentação, métricas de impacto, requisitos de segurança e atendimento compatíveis com clientes corporativos.
O financiamento acompanha essa transformação. O documento de referência menciona a destinação recente de até R$ 400 milhões para a infraestrutura de agentes de IA em todo o mundo. O recurso reforça a importância de componentes ligados à execução, à orquestração e à confiabilidade, além de deslocar o foco de protótipos para a operação em escala.
A internacionalização funciona ainda como um filtro de qualidade. Startups que buscam compras internacionais enfrentam critérios mais rigorosos de segurança, integração e conformidade. O aprendizado pode se espalhar por contratações, parcerias e novos padrões de desenvolvimento, levando equipes a incorporar requisitos de empresas maiores desde o início.
Empresas selecionadas
A delegação reúne a Agrisoft, de São Paulo, desenvolvedora da plataforma AgroSphere; a AIGov Me, também de São Paulo, voltada à governança e à gestão estratégica para adoção responsável de Inteligência Artificial; e a DvDtStartec, de Descalvado, especializada em revestimentos poliméricos naturais e livres de PFAS.
Também foram selecionadas a Escape Time Brasil, de São Paulo; a iFlash Idiomas, de Suzano; a Lina, de São Paulo; a MA.IA Solutions, de São José dos Campos; a Phytochem, de Paulínia; a ROBOTCOM IA, de São José do Rio Preto; e a Thompson Tecnologia, de Taubaté.
As empresas atuam em áreas como educação corporativa, ensino de inglês, infraestrutura de IA para o turismo, visão computacional, ingredientes bioativos, robótica educacional e gestão de processos de negócios integrada a agentes autônomos. A combinação entre internacionalização, exportação e investimento em infraestrutura pode ampliar a diversificação de receitas e a capacidade de replicação das soluções no mercado B2B.








