BAURU — O Ministério Público denunciou seis suspeitos por corrupção, contratação ilegal e tentativa de fraudar licitações para o manejo do lixo urbano. A concessão dos serviços de gestão integrada de resíduos sólidos em Bauru foi estimada em valor superior a R$ 5 bilhões ao longo da execução.
Entre os denunciados estão Cilene Chabuh Bordezan, secretária municipal de Meio Ambiente, e Hamilton Libório Agle, executivo da Estre Ambiental. Também foram acusados Sara Moura de Jesus, ex-secretária municipal adjunta do Meio Ambiente e ex-funcionária da empresa; Talita de Andrade Soares Chieregatti, funcionária da Estre; Vitor João de Freitas Costa, ex-secretário municipal dos Negócios Jurídicos; e Mário Luiz Silvério, coordenador técnico ligado à Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE).
Cilene e Hamilton estão presos desde o último dia 9, quando foi deflagrada a Operação Cavalo de Troia. A fraude não avançou porque o Tribunal de Contas do Estado suspendeu o edital. Na residência de Vitor, investigadores apreenderam R$ 240 mil em espécie.
Estrutura investigada
A denúncia, apresentada em 317 páginas, sustenta que o grupo teria criado uma estrutura estável, com participação coordenada de agentes públicos e particulares. Segundo os promotores Ana Maria Romano, Lucas Maester Colombo e Nelson Aparecido Febraio Junior, os envolvidos teriam usado posições na iniciativa privada e na administração pública para influenciar decisões, direcionar estudos técnicos e formular políticas favoráveis aos seus interesses econômicos.
O Ministério Público afirma que a organização “não se limitou à prática episódica ou ocasional de delitos”. A acusação também aponta que o modelo poderia ser reproduzido em outros municípios nos quais a Estre já tivesse presença relevante na operação de aterros sanitários ou em serviços de destinação final de resíduos.
Segundo a denúncia, Cilene atuava dentro da prefeitura em favor da empresa e foi exonerada por ordem da prefeita Suéllen Rosim (PSD). Mensagens interceptadas indicariam que a ex-secretária tratava o negócio como “minha concessão” e mantinha alinhamento de diretrizes e prazos com Hamilton, a quem chamava de “amorzinho”.
Os investigadores identificaram encontros na sede da Estre, em São Paulo, e em uma base operacional no Edifício Prime Square, em Bauru. Dados extraídos do celular de Mário indicariam ainda a participação de Cilene na elaboração e aprovação de respostas da FIPE e do município a questionamentos sobre o edital e ao Tribunal de Contas.
Para a Promotoria, o objetivo não era apenas disputar a futura licitação, mas influenciar previamente as condições para aumentar a possibilidade de vitória do grupo.





