São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Diálogos apontam atuação de ex-secretário em licitação de R$ 5,2 bilhões em Bauru

Promotoria afirma que Vitor Costa participou de reuniões reservadas e ajudou na estratégia ligada ao edital de saneamento e resíduos.

Diálogos apontam atuação de ex-secretário em licitação de R$ 5,2 bilhões em Bauru
Foto: Divulgação/Prefeitura de Bauru

Diálogos recuperados pelo Ministério Público de São Paulo indicam que Vitor João de Freitas Costa, então secretário municipal dos Negócios Jurídicos de Bauru, participou de articulações relacionadas à licitação ambiental de R$ 5,2 bilhões. O contrato previa serviços de saneamento e coleta de resíduos por trinta anos, com suspeita de direcionamento em favor da Estre Ambiental.

Costa, a então chefe da Secretaria do Meio Ambiente, Cilene Chabuh Bordezan, e o CEO da Estre Ambiental, Hamilton Libório Agle, estão presos desde o dia 9. Os três foram exonerados por ordem da prefeita Suéllen Rosim (PSD), que não é alvo da Operação Cavalo de Troia.

Em uma conversa de WhatsApp ocorrida no dia 2 de setembro, Cilene afirmou a Hamilton: “todo mundo é sanguessuga nessa vida”. Ela se referia a Costa e também reclamou de pessoas que, segundo a mensagem, cobrariam para atuar em favor do grupo. Na residência do ex-secretário, os investigadores encontraram R$ 240 mil em dinheiro em espécie durante a deflagração da operação.

Atuação ligada ao edital

Segundo a Promotoria, Costa viajou a São Paulo para tentar reverter uma barreira imposta pelo Tribunal de Contas do Estado na análise do Edital nº 344/2026. A Corte suspendeu a licitação após apontar cláusulas restritivas que, conforme a investigação, poderiam favorecer a Estre Ambiental.

Em outro diálogo, Cilene disse que Costa iria ao Tribunal de Contas conversar com pessoas que poderiam influenciar o caso. Ela afirmou ainda que ele não pretendia agir oficialmente, mas por meio de contatos, e que esses contatos teriam custo.

A Promotoria sustenta que o cargo ocupado por Costa lhe dava capacidade para examinar a legalidade da modelagem, orientar órgãos municipais, analisar impugnações e contribuir para as respostas aos questionamentos contra o edital. O órgão também afirma que ele integrava o núcleo administrativo da organização investigada.

A investigação identificou reuniões reservadas entre Costa, representantes da Estre e agentes públicos fora dos canais administrativos ordinários. Na noite de 4 de agosto, ele participou de um jantar com Hamilton e Cilene no restaurante Le Vess Bistrô, em Bauru. A conta foi de R$ 1.893,87 e foi paga pelo executivo da empresa. No dia seguinte, houve uma reunião no Ravih Rooftop, no Edifício Prime Square, com o CEO da Estre, Cilene e outros investigados.

O juiz Josias Martins de Almeida Júnior, da Vara das Garantias em Bauru, decretou a prisão preventiva de Costa, Cilene, Hamilton e outros três investigados. Para o magistrado, a relevância da atuação do ex-secretário resultaria da relação entre suas atribuições, as reuniões realizadas fora dos canais administrativos e sua possível intervenção na resposta à impugnação.

A Promotoria afirma que não foram encontradas atas, pautas, registros de agenda institucional ou documentos administrativos que formalizassem as reuniões com representantes da Estre.

A empresa informou que acompanha o caso, reafirma compromisso com ética e transparência e colabora com as autoridades. A Prefeitura de Bauru disse respeitar a atuação do Ministério Público e estar disponível para fornecer documentos e informações. Também afirmou que não há apontamento de participação ou envolvimento da prefeita. As defesas de Cilene e Hamilton não haviam se manifestado, e a defesa de Costa era procurada.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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