BRASÍLIA E SÃO PAULO — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende criar uma força nacional especializada para atuar contra o crime organizado em comunidades. Ele também disse que, se for reeleito, vai propor um ministério exclusivo para a segurança pública, área atualmente vinculada ao Ministério da Justiça.
A proposta dependeria da aprovação de uma emenda constitucional. Lula descreveu a estrutura como uma Força Nacional preparada para intervir em diferentes situações. Na avaliação do presidente, o emprego das Forças Armadas em intervenções federais não produziu resultado permanente: os criminosos deixavam as áreas durante a operação e retornavam depois da saída do Exército.
O presidente criticou ações policiais violentas em comunidades. Para ele, o enfrentamento ao crime deve priorizar a asfixia financeira das organizações, que classificou como uma indústria multinacional presente na Justiça, na polícia, no futebol, na política e no empresariado. Lula também defendeu a presença ordenada do Estado e a oferta de políticas públicas nas comunidades.
Ao explicar sua oposição à classificação do PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas pelo governo dos Estados Unidos, Lula diferenciou o terrorismo associado ao presidente Donald Trump daquele praticado por organizações criminosas no Brasil. Segundo ele, o primeiro seria um terrorismo de Estado, enquanto o segundo afetaria diretamente a vida das comunidades.
Fundo Eleitoral e reforma política
Lula defendeu a extinção do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como Fundo Eleitoral. O presidente associou a medida ao fim do que chamou de promiscuidade política e afirmou que uma reforma política seria necessária para alterar as regras do sistema partidário e do financiamento de campanhas.
Na avaliação de Lula, a mudança poderia contribuir para superar a polarização no Brasil e estimular partidos com programas, compromissos e comportamento ético. Ele reconheceu, porém, que alterações estruturais enfrentam resistência porque atingem interesses de deputados e partidos.
O presidente também criticou a participação do Congresso Nacional no orçamento da União e afirmou que não é possível manter essa situação com 50% dos recursos sob influência do Legislativo.






