As alegações sobre avisos recebidos antes do ataque do Hamas de 7 de outubro ampliaram a pressão política sobre Benjamin Netanyahu durante a campanha eleitoral em Israel. A oposição passou a cobrar uma investigação, enquanto o gabinete do primeiro-ministro nega que ele tenha recebido ou ignorado alertas relevantes.
O calendário eleitoral prevê votação em 27 de outubro para escolher os 120 integrantes do Knesset, o parlamento israelense. A condução do governo diante do ataque está entre os principais temas da disputa.
Alertas atribuídos a Emirados e Egito
O presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed, teria avisado Netanyahu sobre a preparação de um ataque de grande dimensão por Yahya Sinwar, então líder do Hamas em Gaza. O contato teria ocorrido dez dias antes do ataque, em uma conversa de 45 minutos.
O gabinete do primeiro-ministro classificou a informação como uma mentira absoluta e afirmou que nenhum aviso havia sido transmitido pelos Emirados Árabes Unidos antes de 7 de outubro. A mesma versão foi reiterada depois, com a afirmação de que Netanyahu não compartilhou com os responsáveis pela segurança israelense um alerta desse tipo.
Também surgiram informações sobre uma visita secreta de Abbas Kamel, chefe dos serviços de informações egípcios, a Israel em 26 de setembro de 2023. A viagem teria durado 67 minutos e incluído um alerta sobre um possível ataque do Hamas, sem detalhes específicos. Kamel teria pedido a redução das tensões na Faixa de Gaza.
O gabinete de Netanyahu negou que o primeiro-ministro tivesse se encontrado ou falado com Kamel nos meses anteriores ao ataque. A nota também afirmou que o Egito negou oficialmente, em 11 de outubro de 2023, ter avisado Israel. Segundo a mesma manifestação, nenhum integrante da inteligência israelense transmitiu esse alerta ao primeiro-ministro.
Informação atribuída ao Shin Bet
O ex-ministro da Defesa Yoav Gallant declarou que Israel recebeu, semanas antes do ataque, uma mensagem enviada por Yahya Sinwar por meio de canais do Shin Bet, o serviço de segurança interna. Durante negociações secretas para uma troca de prisioneiros, Sinwar teria dito que iria “abalar as prisões”.
Gallant afirmou que não foi informado sobre os avisos estrangeiros enquanto ocupava o cargo. Também disse que Netanyahu o deixou fora de conversas sensíveis com os Estados Unidos durante a guerra, incluindo discussões sobre reféns e munições.
Sobre os alertas, Gallant declarou: “Fiquei a saber destes avisos pela primeira vez através de notícias na comunicação social”. Ele acrescentou que, caso as informações sejam verdadeiras, um aviso recebido do líder de outro país representaria uma falha na avaliação da situação.
Discurso na ONU
Em meio à ofensiva da oposição, Netanyahu rejeitou os pedidos para a abertura de um inquérito oficial sobre os acontecimentos ligados ao ataque. Na Assembleia Geral das Nações Unidas, ele reafirmou sua posição sobre a defesa de Israel e dirigiu críticas a países e líderes que considera adversários.
Dezenas de delegações deixaram o plenário antes do início do discurso, em protesto contra as políticas israelenses. Permaneceram representantes dos Estados Unidos, Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Ucrânia, Japão e Índia, entre outros.
Netanyahu criticou o Irã, o Hezbollah, o Qatar e a Turquia. Sobre o presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, afirmou que ele acolhe líderes do Hamas, ocupa o Norte de Chipre e defende a destruição de Israel. Erdoğan, em seu próprio discurso, acusou Israel de adotar uma mentalidade genocida e descreveu Gaza como um campo de concentração.
O Qatar rejeitou as acusações de Netanyahu e afirmou que a retórica contra o país tenta desviar a atenção das ações do governo israelense nos territórios palestinos ocupados e de suas consequências humanitárias.







