BRASÍLIA — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou acreditar na inocência de Fábio Luís, o Lulinha, e de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, mas disse que os dois devem ser investigados. As declarações foram dadas em entrevista gravada para o programa Canal Livre, da Band, com exibição prevista para as 20 horas na BandNews TV.
Lulinha é alvo de investigação da Polícia Federal por suposto tráfico de influência no governo em associação com a empresária e lobista Roberta Luchsinger, de quem é amigo. Luchsinger prestou serviços para o Careca do INSS.
Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, admitiu ter recebido dinheiro de Luchsinger. Ele afirma que o valor correspondeu a um empréstimo pessoal. Sobre o ex-assessor, o presidente disse considerar que houve lealdade durante o período em que trabalharam juntos e avaliou que, se ele pediu dinheiro à lobista, foi porque precisava. Lula também afirmou que o pagamento, por si só, não configura corrupção.
Sobre o filho, o presidente disse duvidar que Lulinha tenha falado diretamente com autoridades do governo. Lula também chamou Luchsinger de “picareta” e questionou relatos sobre contatos da empresária com pessoas próximas ao governo.
Segurança pública e crime organizado
Lula defendeu a criação de um ministério exclusivo para a segurança pública caso seja reeleito. Atualmente, o tema está sob responsabilidade do Ministério da Justiça. Ele também propôs uma polícia especial para atuar contra o crime organizado nas comunidades, vinculada a uma Força Nacional preparada para intervenções.
Segundo o presidente, operações das Forças Armadas não produziram o resultado esperado porque os criminosos deixavam as áreas durante a presença do Exército e retornavam depois. Para ele, a Força Nacional existente não é suficiente e precisaria contar com soldados preparados para esse tipo de atuação.
Lula criticou ações policiais violentas em comunidades e defendeu o combate ao crime por meio da asfixia financeira. Na avaliação dele, o crime se tornou uma indústria multinacional com presença na Justiça, na polícia, no futebol, na política e no empresariado.
O presidente também citou o Massacre do Carandiru, em 1992, e afirmou que ações baseadas apenas em mortes podem gerar popularidade temporária, mas não resolvem o problema. Como alternativa, defendeu a presença ordenada do Estado nas comunidades, acompanhada de políticas públicas.
Lula rejeitou a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos. Ele diferenciou o terrorismo associado ao governo de Donald Trump daquele praticado por facções criminosas nas comunidades. Segundo o presidente, as ações desses grupos impedem a livre circulação da sociedade, enquanto o terrorismo de Estado teria como objetivo derrubar governos.
Fundo Eleitoral e reforma política
Na mesma entrevista, Lula defendeu a extinção do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o Fundo Eleitoral. Para o presidente, o fim do mecanismo ajudaria a encerrar a “promiscuidade política”.
Ele também pregou uma reforma política ampla, com mudanças nas regras do sistema partidário e no financiamento das campanhas. Lula associou o fim da polarização no Brasil à criação de partidos com manifesto, compromisso com a sociedade, programa e comportamento ético.
O presidente afirmou que alterações estruturais enfrentam resistência porque atingem diretamente os interesses de deputados e partidos. Também criticou a participação do Congresso Nacional no orçamento da União, dizendo não ser possível manter o Legislativo com 50% dos recursos.
Na entrevista, Lula ainda afirmou manter boa relação com Donald Trump. Disse que as conversas entre os dois foram positivas, mas criticou integrantes da equipe do presidente norte-americano. Entre eles, citou Marco Rubio, a quem atribuiu uma posição contrária ao Brasil e à América Latina.






