O senador Flávio Bolsonaro pressionou a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), a votar pela abertura de uma investigação contra Alexandre de Moraes. Em transmissão no Instagram, neste domingo, 6, ele associou a decisão à atuação da magistrada em defesa da democracia e afirmou que o julgamento deve ocorrer na semana que vem.
Flávio questionou se Cármen Lúcia protegerá a democracia e o Supremo ou se apoiará Moraes, seu colega de plenário. Em seguida, cobrou uma posição direta da ministra e disse que o resultado terá impacto sobre a trajetória dela no tribunal.
“Então, Carmen Lúcia, o Brasil está aguardando para ver como vai ser o seu voto na semana que vem”, afirmou o senador. Ele também disse que a manifestação prevista para esta segunda-feira, 7 de setembro, poderia influenciar integrantes do STF favoráveis à pressão popular.
Mensagens e disputa no Supremo
A tensão no tribunal aumentou após a divulgação de mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Os diálogos indicaram conversas sobre detalhes da Operação Compliance Zero dias antes da prisão do banqueiro.
André Mendonça, relator do caso Master no STF, autorizou a retirada do sigilo de informações da Polícia Federal que incluíam as mensagens. Após a divulgação do material, Moraes usou o inquérito das fake news para acusar Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.
O presidente do STF, Edson Fachin, retirou o pedido desse inquérito e determinou, nesta sexta-feira, 4, que o caso fosse incluído no procedimento aberto sobre indícios identificados pela Polícia Federal contra Moraes.
Nesse contexto, o voto de Cármen Lúcia poderá ser decisivo nas análises que o plenário do Supremo deve fazer sobre a conduta dos magistrados. Flávio afirmou ainda que o tribunal deve proteger a instituição, a democracia e a Constituição, e não funcionar como espaço de proteção a um ministro.
Relação com Daniel Vorcaro
Flávio também manteve diálogos com Vorcaro relacionados ao financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro, chamado “Dark Horse”. As mensagens indicaram que o senador pediu, em 2025, o pagamento de US$ 24 milhões para a produção.
Os diálogos apontaram o pagamento efetivo de pelo menos US$ 10,6 milhões, valor equivalente, na época, a cerca de R$ 61 milhões. Depois, Flávio indicou a conta do fundo Havengate, sediado em Texas e administrado por um advogado de Eduardo Bolsonaro, para receber os recursos.
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) registrou ainda que, em setembro de 2025, o dono do Master fez outro pagamento de US$ 1,6 milhão ao fundo. O Havengate administrava o dinheiro antes do repasse à produção do filme.







