SÃO PAULO — Flávio Bolsonaro afirmou que pretende indicar ao Supremo Tribunal Federal ministros contrários ao aborto e à descriminalização das drogas caso seja eleito presidente. Em entrevista ao SantoFlow Podcast, o candidato do PL também acusou Luiz Inácio Lula da Silva de usar a Corte para interferir nas eleições.
“Vou indicar pessoas que são contra o aborto e contra as drogas”, disse Flávio. O senador vinculou as nomeações ao que chamou de defesa da vida e afirmou que ministros poderiam mudar essas regras por decisão individual. Também criticou Cristiano Zanin e Flávio Dino, indicados por Lula ao STF, além de Alexandre de Moraes.
Disputa pelo eleitorado religioso
A entrevista ocorreu enquanto Flávio mantinha diante de si uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Evangélico e frequentador da Igreja Batista, o senador participou de um programa voltado ao público católico depois de dias de repercussão sobre a suposta intenção de retirar da santa o título de Padroeira do Brasil.
Flávio nega ter defendido a retirada do título e acusa adversários de espalharem informação falsa. Na entrevista, afirmou que o PT tenta “colocar católicos contra evangélicos”. Antes da participação no podcast, ele também ergueu uma representação de Nossa Senhora Aparecida durante uma agenda de campanha no Mercado Municipal de São Paulo.
O senador declarou que não vê risco de derrota e atribuiu a possíveis ataques de adversários a disseminação de “mentiras”. “Não tem perigo de a gente perder a eleição. Vão criar mentiras, mas temos projeto de Deus”, afirmou.
Legado de Jair Bolsonaro
Flávio disse que sua candidatura busca preservar o legado político do pai, Jair Bolsonaro, com uma postura diferente. Segundo ele, seu perfil pode oferecer uma alternativa à polarização sem romper com as características do governo do ex-presidente. O senador afirmou ainda que não gosta de brigas nem de fazer campanha com colete à prova de bala.
Jair Bolsonaro está inelegível por oito anos, contados a partir das eleições de 2022, após decisões do Tribunal Superior Eleitoral. A primeira condenação ocorreu em junho de 2023, por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante uma reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada, em julho de 2022. O julgamento terminou em 5 votos a 2.
Em outubro daquele ano, o TSE declarou Bolsonaro inelegível pela segunda vez, também por 5 votos a 2. O caso envolveu as comemorações do Bicentenário da Independência, em 7 de setembro de 2022, em Brasília e no Rio de Janeiro. Como as penas não foram somadas, foi mantido o prazo de oito anos.
Críticas ao Supremo
Flávio afirmou que Lula transformou o STF em um “comitê eleitoral” e disse que, sem os ministros indicados pelo presidente, o Brasil vive. O senador criticou um voto de Dino, que classificou como carregado de raiva e preconceito, e mencionou a atuação de Zanin como advogado de Lula.
Também acusou Moraes de ter boicotado o governo de Jair Bolsonaro e de tomar decisões favoráveis a Lula. Moraes, porém, chegou ao STF em 2017 por indicação do então presidente Michel Temer.
As críticas ocorreram no mesmo dia em que Dino reverteu decisão de André Mendonça, do TSE, que havia determinado a retirada de publicações sobre a suposta proposta envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Dino pediu que o tema seja levado ao plenário do STF.








