A cúpula da campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o impacto eleitoral da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), associada às relações de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, perdeu força. Estrategistas petistas consideram que o assunto já foi incorporado pelo eleitorado e que o governo conseguiu mudar o foco no período decisivo que antecede o 1º turno.
A mudança de pauta ocorreu após o anúncio do aumento do Bolsa Família. A medida foi alvo de críticas por seu caráter eleitoreiro e pelo descompasso com as contas públicas, mas permitiu ao presidente concentrar o debate em um tema considerado favorável à obtenção de votos. O movimento ocorreu enquanto Flávio Bolsonaro avançava sobre parte do eleitorado petista.
José Guimarães, ministro da Secretaria de Relações Institucionais, resumiu a orientação do governo: “Julgamento no STF é assunto enterrado e o foco agora é desconstruir a imagem de Flávio Bolsonaro”.
Novo foco de preocupação
A atuação de Flávio Dino passou a ser vista como um risco para essa estratégia. O ministro votou pela reunião dos casos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça. Além disso, sua postura durante uma sessão do STF provocou críticas nas redes sociais e levantou a possibilidade de que o desgaste da Corte voltasse a ser associado à imagem de Lula.
Decisões de Dino no inquérito das emendas parlamentares haviam ajudado o presidente a atacar Flávio Bolsonaro e Mendonça. O comportamento do ministro na sessão do dia 15, porém, teve efeito diferente. Após o episódio, aumentaram as buscas no Google sobre a trajetória de Dino, sua posse em 2024 e a indicação para o STF.
As pesquisas por “quem indicou Flávio Dino ao STF” foram 50% maiores que o pico anterior, registrado em setembro passado, durante o julgamento da trama golpista. Também apareceram entre os termos mais procurados perguntas sobre quem indicou Dino ao Supremo.
Lula classificou a sessão como um “show de horrores”. Cármen Lúcia pediu desculpas à população e afirmou estar em profunda consternação e tristeza. Para a ministra, houve “uma espetacularização desse caso, dessa sessão aqui, que não faz mal apenas ao Supremo, faz mal ao País”. Ela também foi interrompida por Dino durante o debate.
Lula evitou críticas diretas a Dino, Gilmar Mendes e Moraes. Para se afastar da crise envolvendo Moraes, afirmou que não indicou o ministro ao STF. A justificativa não se aplica a Dino, escolhido diretamente pelo presidente para a Corte em 2023.
Interlocutores do governo passaram a afirmar que Lula teria feito críticas reservadas à atuação de Dino. A estratégia busca impedir que o novo desgaste contamine a tentativa de mudança de pauta na reta final da disputa presidencial.







