A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro chega à reta final marcada por empate nas intenções de voto e na rejeição. Três fatores estatísticos podem alterar o resultado: a transferência de votos dos demais candidatos, o comportamento dos indecisos e a abstenção.
Lula, que passou a campanha como favorito, concentra as atenções e responde por temas que afetam o país, independentemente de estarem ou não sob sua responsabilidade. Entre eles estão Alexandre de Moraes, o STF, o INSS, o tarifaço de Trump, as guerras, o preço da gasolina, a percepção sobre a inflação e o endividamento de empresas e famílias.
A avaliação apresentada é que episódios associados ao governo têm impacto maior sobre Lula porque o presidente é o candidato à reeleição. O contrato de R$ 134 milhões de Alexandre de Moraes, por exemplo, é apontado como mais prejudicial à campanha de Lula do que os R$ 131 milhões relacionados ao filme Dark Horse para a candidatura de Flávio Bolsonaro. Moraes é ministro do STF e não foi nomeado por Lula.
Vantagens e passivos
O presidente tem a favor o crescimento da economia e taxas históricas de desemprego baixo. Ao mesmo tempo, é questionado por medidas de aumento de gastos, entre elas o reajuste do Bolsa Família, anunciado a 17 dias da eleição e com previsão de quase R$ 23 bilhões em 2027.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, aparece com menor desgaste diante de acusações e episódios citados na campanha, incluindo a relação com Vorcaro, pedidos de dinheiro, a viagem com pessoas ligadas ao escândalo do INSS e os ataques dos EUA ao Brasil.
Os dois candidatos também carregam passivos políticos e familiares. Lula é associado ao mensalão, ao petrolão, à Lava Jato e aos 580 dias de prisão pelo caso do triplex. Flávio enfrenta referências às rachadinhas, à compra de uma casa com financiamento considerado duvidoso do BRB e a negócios imobiliários com parte dos pagamentos em dinheiro vivo.
A tendência dos votos dos demais concorrentes no segundo turno é descrita como favorável a Flávio. O voto anti-Lula também aparece mais forte do que o anti-Bolsonaro, consolidando a percepção de parte do eleitorado de que Lula é o principal responsável pelos problemas do país.







