Aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que o senador ganhou espaço na disputa presidencial enquanto Lula enfrenta dificuldades para conter os efeitos políticos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação é que o presidente perdeu parte da vantagem obtida com o discurso de oposição entre ricos e pobres depois que o debate passou a se concentrar nas suspeitas sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Desde o início do caso, apoiadores de Flávio dizem que Lula permanece na defensiva. Para eles, a tentativa de desgastar o senador com o caso Dark Horse, associando o crescimento do Banco Master ao governo Bolsonaro e explorando um áudio em que Flávio pede dinheiro ao banqueiro, enfrenta a lembrança de que a oposição tomou a iniciativa de pedir uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre o banco, enquanto o governo resistiu.
Os bolsonaristas também consideram difícil que Lula se distancie de Moraes. Na avaliação desse grupo, o ministro ficou associado ao governo por determinar a prisão de Bolsonaro e participar da articulação com o Congresso.
Estratégia eleitoral
Aliados de Flávio admitem que ainda existe desconfiança sobre a cinebiografia de Bolsonaro, mas dizem que a justificativa de que o filme usa recurso privado foi absorvida pela população. Para esse grupo, o caso envolvendo Moraes provoca maior indignação e se sobrepõe ao episódio do filme.
A orientação para a campanha é combinar a crise moral do Judiciário com temas ligados ao orçamento familiar, como endividamento e preços nos supermercados. Articuladores do PL afirmam que a exploração das contradições do STF não deve afastar essa pauta.
A campanha também pretende ampliar a presença de Flávio nos municípios. No último sábado, 12, o senador esteve em quatro cidades, enquanto Lula visitou uma. A estratégia inclui diversificação do conteúdo virtual e maior capilaridade da propaganda.
Bolsonaristas afirmam que pesquisas internas já indicavam uma ultrapassagem de Flávio sobre Lula. A pesquisa Quaest da segunda-feira, 14, reforçou a percepção de estabilidade e tornou mais plausível, na avaliação dos aliados, a hipótese de o senador terminar à frente do presidente no 1º turno.
No 2º turno, a aprovação do fim da escala 6x1 pelo plenário do Senado é vista como possível novidade. Senadores alinhados a Flávio dizem que Davi Alcolumbre, presidente da Casa, deverá considerar o resultado das eleições legislativas e a nova composição do Senado antes de definir os próximos passos.







