SÃO PAULO — Aumento de despesas para titulares, dependentes e procedimentos foi o principal alvo do protesto de bancários da Caixa Econômica Federal realizado nesta terça-feira (29), na avenida Paulista. O ato ocorreu horas antes de o Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgar a legalidade da greve nacional da categoria, em curso desde 10 de setembro.
Os manifestantes se concentraram em frente ao prédio que abriga a sede do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), fizeram discursos e distribuíram panfletos. A escolha do endereço foi descrita pelos participantes como simbólica, com o objetivo de pressionar o TST por uma decisão favorável aos trabalhadores.
O TRT-2 é a segunda instância da Justiça do Trabalho em São Paulo e não participa do julgamento. Como a paralisação é nacional, o caso foi levado à sede do TST, em Brasília. O dissídio coletivo foi apresentado pela Caixa, que pediu o reconhecimento de abusividade da greve. A categoria terá de encerrar o movimento.
Mudanças no plano
O plano de saúde, apontado como o principal impasse entre o banco e os trabalhadores, terá aumento de 4,6%, conforme a decisão do TST. A proposta de elevar de 3,5% para 3,7% a parcela do salário-base paga pelos empregados foi negada no julgamento.
A Caixa também propõe reajustes nos custos dos dependentes. Em uma das faixas etárias, o valor passaria de R$ 480 para R$ 560. O custo das consultas em pronto-atendimento também seria ampliado. Atualmente, os empregados pagam ainda a coparticipação, que corresponde a uma parte do preço de cada procedimento.
A aposentada Inês Freitas, 62, afirmou que os aumentos podem dificultar a permanência de aposentados no plano. “O salário não acompanha. Com essa alteração, muita gente não vai conseguir ficar no Saúde Caixa”, disse. Ela também criticou a mudança no percentual de custeio defendido pela empresa, que, segundo ela, teria passado de 9% para 6,5% no julgamento.
A auxiliar operacional Marília Donega, 43, trabalha há 20 anos na Caixa e mantém o marido e um filho de 14 anos como dependentes. Ela disse que já desembolsa quase R$ 1.000 por mês e que a nova proposta elevaria esse valor. “Se está ruim para mim, eu fico imaginando as mães, mulheres que têm dois ou três filhos”, afirmou.
Despesas com procedimentos
Marília relatou que precisou pagar mais R$ 400 por um ultrassom não coberto pelo plano, além da mensalidade e da coparticipação. Nilva Marques da Silva, 61, disse ter pago mais de R$ 3.000 por um procedimento nos joelhos. O serviço custou R$ 29,9 mil, e a cobrança só não foi maior por causa do teto de coparticipação.
Sueli Ogusk, 58, questionou a transparência do plano após identificar cobranças duplicadas em um tratamento feito em 2024. Ela contestou a fatura junto ao Saúde Caixa, mas afirma que teve de pagar. Em nota anterior, a Caixa informou que realiza auditorias frequentes no plano de saúde.





