São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Plano de saúde leva bancários da Caixa à greve e motiva queixas de cobrança

Funcionários relatam custos elevados, demora em reembolsos e cobranças que dizem não reconhecer no Saúde Caixa.

Plano de saúde leva bancários da Caixa à greve e motiva queixas de cobrança

BAURU, SP — O aumento dos custos do Saúde Caixa é o principal impasse da greve nacional dos bancários da Caixa Econômica Federal, iniciada em 10 de setembro. A negociação foi levada ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), que julga o dissídio coletivo nesta terça-feira (29).

Funcionários relatam cobranças que dizem não reconhecer, atendimento considerado precário, demora no reembolso e dificuldade para encontrar especialistas. A Caixa afirma que apura as denúncias recebidas e que disponibiliza aos titulares os valores cobrados por hospitais e médicos credenciados no aplicativo Saúde Caixa ou no portal do plano.

Custos e atendimento

Matheus Crespo, técnico bancário de 45 anos, teve uma lesão durante atividades físicas no início de 2026. Com os exames e as sessões de fisioterapia, seu gasto com o plano de saúde da empresa dobrou por meses. Ele afirma que os custos levam alguns funcionários a adiar procedimentos e tratamentos.

Crespo mora em Natal (RN) e diz que há falta de especialistas até na capital. Segundo ele, a cidade ficou cerca de três anos sem urologista disponível em todo o Rio Grande do Norte, situação que teria sido resolvida no ano passado. Ele também afirma que não há especialista em cirurgia cardíaca em Natal.

Para bancários que vivem no interior, a dificuldade pode exigir deslocamentos até a capital ou para outros estados. Quando não há profissionais credenciados, o funcionário pode procurar atendimento fora da rede, pagar o valor integral e depois pedir reembolso parcial. Crespo considera o processo burocrático e diz que ele atrasa o atendimento e exige dinheiro disponível antecipadamente.

Entre as queixas está a possibilidade de reajuste de 60% no valor pago por consulta em pronto-atendimento, de R$ 75 para R$ 120.

Frederico Cruz dos Santos, de 46 anos, trabalha como caixa em uma agência de Bauru (SP) e é diretor do sindicato local. Ele afirma que os reembolsos ficam abaixo do custo efetivo do atendimento. “Hoje, em uma consulta com um profissional você paga R$ 500. A Caixa te reembolsa R$ 50”, disse.

Segundo Santos, a rede credenciada no interior paulista tem filas longas, com consultas disponíveis apenas depois de três meses em alguns casos. Por isso, bancários acabam recorrendo ao atendimento particular.

Cobranças contestadas

Santos também relata demora nas respostas a pedidos de reembolso feitos pelo site e afirma que, em alguns casos, não há retorno. Ele menciona cobranças por materiais que, segundo funcionários, não teriam sido utilizados nos procedimentos.

Júlia Eberhardt, bancária no Rio de Janeiro (RJ), afirma que situações semelhantes são recorrentes na rede credenciada da capital fluminense. Ela cita cobranças por procedimentos e materiais que não teriam sido usados, incluindo um caso em que um atendimento com soro teria gerado cobrança por dois rolos de esparadrapo por mais de R$ 100.

Documentos e relatos também registram uma cobrança de quase R$ 633,30 em esparadrapo após uma funcionária afirmar ter usado apenas um curativo simples. O valor foi contestado e revertido.

Em outro caso, uma tomografia de R$ 705,42 foi acompanhada, na fatura, por R$ 1.913,75 em materiais e R$ 877,45 em medicação. O total chegou a R$ 3.496,62. Após questionar a cobrança, a funcionária pediu um novo documento apenas com o valor do exame.

Os trabalhadores também questionam a cobrança de uma 13ª mensalidade anual, além das parcelas regulares. A medida foi prevista em acordo coletivo fechado em 2023 e começou a valer em 2024. Na época, a Caixa afirmou que a cobrança seria necessária para cobrir o déficit do plano.

Posição da Caixa

Em nota, a Caixa declarou que as denúncias de erro ou falta de transparência nas cobranças são submetidas a análise técnica especializada. O banco afirma que verifica se os valores são compatíveis com o tratamento prestado e com as condições contratuais vigentes com os prestadores.

A instituição também informou que fornece trimestralmente às entidades representativas dos empregados os dados detalhados do plano, conforme previsto em acordo coletivo. A Caixa mantém ainda um conselho formado por funcionários, com possibilidade de auditar os gastos, e publica balanços mensais com a discriminação das despesas.

Eberhardt considera essas informações insuficientes para garantir transparência sobre os custos do Saúde Caixa. Santos defende que os trabalhadores negociem uma auditoria externa independente das contas do plano.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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