O IPCA-15 avançou 0,7% em setembro, depois de registrar queda de 0,40% em agosto, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado ficou acima da mediana das projeções do mercado, de 0,55%, e do teto das estimativas, de 0,66%.
Foi a maior alta para setembro desde 2021, quando o índice subiu 1,14%. A reversão ocorreu após o fim de fatores temporários que haviam ajudado a reduzir a inflação no mês anterior, entre eles o bônus de Itaipu, que contribuiu para o desconto na conta de luz.
Christian Meduna, economista do banco BV, afirmou que a alimentação foi um dos principais componentes do resultado. Segundo ele, os preços de produtos in natura passaram a apresentar maior oscilação, possivelmente relacionados a questões climáticas e a itens específicos.
“Batata e tomate, por exemplo, nas últimas leituras vêm caindo e subindo muito forte”, disse Meduna. As passagens aéreas também contribuíram: depois de caírem 13% no mês passado, subiram quase 10% agora.
Para Júlio Barros, economista do Daycoval, a leitura representa um desafio para o Banco Central, já que fatores temporários que antes ajudavam a conter a inflação passaram a exercer pressão oposta. Ele acrescentou que os núcleos permanecem elevados e aumentaram na comparação interanual. A previsão é de manutenção da Selic na reunião do Copom marcada para os dias 3 e 4 de novembro.
Mercados sob influência do petróleo
Às 12h36, o dólar subia 0,08%, cotado a R$ 5,198, enquanto o Ibovespa recuava 0,14%, aos 183.702 pontos. O petróleo era negociado próximo de US$ 106, com baixa de 0,32%, em meio às incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio.
Em entrevista exibida nesta quinta-feira (24), o presidente iraniano Masoud Pezeshkian disse que os Estados Unidos devem decidir se querem encerrar a guerra no Irã e que Teerã não deseja continuar lutando.
A queda do índice acionário era pressionada principalmente pela Petrobras. As ações da companhia recuavam 1,58%, a R$ 48,48. A empresa tem peso relevante no Ibovespa e acompanha as variações do petróleo.
Mesmo com a baixa na sessão, a permanência do barril acima de US$ 105 aumenta a preocupação com a inflação e reforça a perspectiva de juros elevados por mais tempo. Na véspera (24), a Treasury de dez anos chegou a 5,195%, maior nível desde 2007, enquanto o título de 30 anos encerrou a 5,479%, máxima desde 2004.
Às 12h40, o rendimento da Treasury de dez anos estava em 5,207%, alta de 0,85%. O índice DXY caía 0,19%.
Em Wall Street, o S&P 500 avançava 0,14% às 12h51, o Dow Jones subia 0,26% e o Nasdaq tinha alta de 0,02%. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2028 era negociado a 13,645% às 10h32, queda de 0,02 ponto percentual. O contrato para janeiro de 2035 estava em 13,98%, recuo de 0,07 ponto percentual.
O mercado também acompanhava a disputa presidencial de 2026. Na pesquisa Datafolha divulgada na véspera, Lula aparecia com 40% das intenções de voto no primeiro turno, ante 36% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, os dois tinham 47% e 45%, respectivamente. A margem de erro era de dois pontos percentuais para mais ou para menos.







