SÃO PAULO — O dólar à vista subiu 0,49% nesta quinta-feira, 24, a R$ 5,1937, após atingir a máxima de R$ 5,2019. A moeda passou a acumular alta de 0,26% em setembro, depois de avançar 2,16% no mês passado. Nos dois últimos dias, a valorização chegou a 1,78%.
O movimento acompanhou a alta global do dólar, impulsionada por sinais de resiliência da economia dos Estados Unidos, pelo avanço do petróleo e pela perspectiva de juros mais altos pelo Federal Reserve. Dados sobre pedidos de auxílio-desemprego, vendas de moradias novas e índices de gerentes de compras reforçaram a percepção de força da atividade americana.
As presidentes dos distritos do Federal Reserve em Cleveland e Filadélfia, Beth Hammack e Anna Paulson, defenderam uma postura mais dura no combate à inflação. Tom Barkin, presidente do Fed de Richmond, afirmou que as pressões recentes sobre os preços podem durar mais do que o previsto.
O Brent para dezembro subiu 3,41%, a US$ 106,60 por barril. A alta acumulada chegou a quase 4% na semana e a mais de 18% no mês. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, avançava 0,18% no fim da tarde, aos 101,274 pontos.
No mercado doméstico, operadores também acompanharam novas informações sobre as relações do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro. O senador tentou falar por telefone com o ex-controlador do Master quatro dias antes da prisão do banqueiro, em 17 de novembro do ano passado. Também foi divulgado que Flávio viajou da Flórida a Brasília, em 2025, em um avião que tinha Vorcaro entre os cotistas.
Marcel Lima, sócio da Valor Investimentos, avaliou que o otimismo com uma eventual vitória da oposição perdeu força após a estagnação das intenções de voto de Flávio nas pesquisas. O mercado aguardava uma nova sondagem do Datafolha no período da noite.
Bolsa e juros
O Ibovespa caiu 0,99%, aos 183.965,91 pontos, com mínima de 183.834,97 pontos e giro financeiro de R$ 19 bilhões. A piora no exterior aumentou a cautela com ativos de risco, especialmente nos mercados emergentes. Em Nova York, o EEM recuou 0,70%.
O movimento também pressionou os juros futuros. O contrato de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2027 avançou de 13,541% para 13,565%. O DI para janeiro de 2029 subiu de 13,787% para 13,88%, enquanto o contrato para janeiro de 2031 passou de 13,965% para 14,045%.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano acompanharam a piora. Às 17h30, a taxa da T-Note de dois anos estava em 4,940%, ante 4,895%; a de 10 anos, em 5,22%, contra 5,116%; e o retorno do T-Bond de 30 anos alcançava 5,497%, ante 5,402%.
O Relatório de Política Monetária reforçou que ainda há espaço para cortes da Selic, mas indicou que a trajetória dependerá da evolução dos dados. As falas de Gabriel Galípolo e Paulo Picchetti não alteraram a curva de juros. Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o documento foi “um pouco decepcionante”, embora tenha mantido aberta a possibilidade de novas reduções do juro básico.







