SÃO PAULO — O dólar fechou em alta de 0,86%, a R$ 5,2265, no maior valor desde 30 de março. A moeda superou R$ 5,22 pela manhã e manteve pressão sobre o real em meio ao fortalecimento global da divisa americana, à elevação dos juros dos Treasuries e ao impasse entre Estados Unidos e Irã sobre o conflito no Oriente Médio e a reabertura do Estreito de Ormuz.
A taxa de câmbio foi influenciada principalmente pelo ambiente externo, embora o mercado também tenha demonstrado cautela com o cenário eleitoral brasileiro e com medidas recentes do governo, como o reajuste do Bolsa Família e a proibição das bets. O dólar acumula alta de 0,90% em setembro, depois de subir 2,16% em agosto.
Para o economista Fabrizio Velloni, a expectativa de novos aumentos dos juros pelo Federal Reserve fortaleceu o dólar diante das demais moedas. Ele também citou os efeitos da alta do petróleo, da migração sobre a mão de obra e das tarifas sobre a inflação.
A moeda americana perdeu parte da força durante a tarde, após relatos de acenos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Irã e de moderação nos preços do petróleo. Na reta final, porém, retomou os ganhos.
Bolsa e juros
O Ibovespa encerrou o pregão com queda de 0,26%, aos 182.991,13 pontos, em um dia de giro financeiro reduzido, de R$ 18 bilhões. O índice oscilou entre 181 mil pontos e 184 mil pontos e registrou a quarta sessão consecutiva de baixa. Ainda assim, acumula alta de 3,14% no mês e de 13,57% no ano.
O petróleo Brent para dezembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres, fechou em alta de 0,4%, a US$ 97,83 o barril. A desaceleração da commodity aliviou parte da pressão sobre a Bolsa, mas a navegação no Estreito de Ormuz permaneceu prejudicada.
O índice S&P/B3 Ibovespa VIX subiu 4,29%, refletindo o aumento da volatilidade esperada para os próximos 30 dias. O indicador é calculado com base em opções sobre o Ibovespa B3 e mede a percepção de risco do mercado.
Na renda fixa, os contratos de juros futuros subiram. O DI para janeiro de 2027 avançou a 13,565%, de 13,548% no ajuste anterior. O contrato para janeiro de 2029 passou de 13,814% para 13,89%, enquanto o DI para janeiro de 2031 subiu de 13,934% para 14,05%.
Nos Estados Unidos, a taxa da T-note de dez anos avançou de 5,165% para 5,233%, e a do T-bond de 30 anos, de 5,496% para 5,550%. Os dois vencimentos atingiram máximas em cerca de 20 anos durante a sessão.
Disputa eleitoral
O real apresentou perdas menores que as de outras moedas latino-americanas. Pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira mostrou empate de 42% entre Lula e Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Na sondagem anterior, Flávio tinha 42% e Lula, 41%.
Outra pesquisa, da BTG/Nexus, apontou Lula com 46% e Flávio com 44% no segundo turno. No primeiro turno, o presidente marcou 42%, enquanto o senador registrou 37%. Na Quaest, Lula passou de 37% para 39% no primeiro turno, e Flávio, de 33% para 34%. No segundo turno, os dois apareceram com 42%.
O estrategista-chefe de câmbio da BMO Capital Markets, Mark McCormick, afirmou que os mercados parecem precificar um resultado mesmo com a disputa acirrada. Para ele, uma eventual maior credibilidade fiscal poderia reduzir o prêmio de risco, mas também abrir espaço para cortes da Selic e reduzir o suporte do diferencial de juros ao real.








