São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Economia

El-Erian vê resiliência aparente e riscos estruturais na economia global

No BTG Macro Day 2026, economista apontou riscos em juros, geopolítica, China e adoção da inteligência artificial.

El-Erian vê resiliência aparente e riscos estruturais na economia global

A economia mundial mantém crescimento, inflação sob controle e mercados acionários em alta, mas Mohamed El-Erian identificou tensões estruturais que podem comprometer essa aparente estabilidade. A análise foi apresentada durante o BTG Macro Day 2026, em conversa com André Esteves, chairman do BTG Pactual.

El-Erian é presidente da Gramercy Funds Management e economista-chefe da seguradora global Allianz. Para ele, a conjuntura global precisa ser observada em três camadas. Na superfície, a economia demonstra resistência a choques severos: o crescimento continua, não há crises financeiras de grande escala e os mercados avançam impulsionados pelas expectativas em torno da inteligência artificial.

Em uma camada intermediária, o economista apontou pressões como a alta dos yields dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, associada à demanda crescente por capital em um cenário de oferta reduzida. Também citou os atritos cambiais envolvendo o iene japonês e as tensões geopolíticas entre Estados Unidos e China.

Na camada mais profunda, El-Erian identificou uma incerteza sem desfecho claro. Entre os riscos estão possíveis danos colaterais provocados pela velocidade de adoção da inteligência artificial, a reorganização dos mercados de capitais e a fragmentação geopolítica.

Fed e China no centro da discussão

A política monetária americana também foi tema central. Ao comentar o trabalho de Kevin Warsh no Federal Reserve, El-Erian defendeu que o banco central deixe de depender exclusivamente do retrospecto dos dados e passe a antecipar os acontecimentos econômicos.

Na avaliação do economista, o Federal Reserve errou ao classificar a inflação inicial como passageira, falhou repetidamente em manter as metas inflacionárias por longos períodos e adotou uma comunicação que ampliou a volatilidade. As equipes criadas para revisar a comunicação, a análise de dados e a produtividade da instituição foram apresentadas como importantes para superar visões rígidas e recuperar sua credibilidade.

Sobre a China, El-Erian destacou a contradição entre o papel sistêmico do país na economia mundial e a concentração de seus líderes nas necessidades internas. Ele usou a metáfora da escada do desenvolvimento para descrever a posição chinesa: ao competir simultaneamente com economias desenvolvidas em segmentos avançados da manufatura e com países em desenvolvimento na exportação de bens de consumo, a China reduz o espaço de ascensão de outros emergentes.

América Latina e crédito privado

Em meio à polarização e à volatilidade, El-Erian apontou a América Latina, especialmente o Brasil, como uma região com oportunidades decorrentes da desconexão geopolítica e da dispersão dos mercados.

O economista também destacou o crédito privado em economias emergentes. Segundo ele, o segmento vive um momento semelhante ao observado nas economias desenvolvidas há 15 anos, com retornos interessantes apoiados por garantias robustas.

A estratégia, porém, exige disciplina, seleção cuidadosa de ativos e capacidade de adaptação rápida. No Brasil, onde o crédito privado se consolidou como uma classe relevante para fundos de investimento e escritórios de gestão familiar, a dispersão global foi apresentada como fonte potencial de oportunidades, além de risco.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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