São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Economia

Juros ainda favorecem ativos brasileiros apesar de diferencial menor com os EUA

Selic em 13,75% e fatores como petróleo e investimentos em data centers mantêm o Brasil no radar estrangeiro.

Juros ainda favorecem ativos brasileiros apesar de diferencial menor com os EUA

O Banco Central reduziu a Selic para 13,75% e o Federal Reserve elevou os juros dos Estados Unidos para a faixa entre 3,75% e 4% na última quarta-feira (16). A decisão diminuiu a diferença entre as taxas dos dois países, mas analistas avaliam que o Brasil continua atraente para investidores estrangeiros.

A redução do diferencial tende a favorecer os Treasuries, títulos soberanos americanos, e pode pressionar ativos de mercados emergentes, além de contribuir para a valorização do dólar ante moedas como o real. Também reduz o estímulo ao carry trade, estratégia que busca ganhos com a diferença de juros entre países.

Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o diferencial ainda é suficiente para manter o interesse pelo Brasil. “A distância [de juros entre Brasil e EUA] ainda é muito grande”, afirmou. Ele avalia que a mudança reduz o incentivo aos investimentos no país, mas não interrompe necessariamente o fluxo estrangeiro.

As projeções indicam possibilidade de novas mudanças nas taxas. A ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava na manhã deste domingo (20) uma probabilidade de 57% de alta dos juros americanos para a faixa entre 4% e 4,25% na reunião de outubro. No Brasil, as Opções de Copom, da B3, mostravam que 57% das posições indicavam uma redução da Selic para 13,5% em novembro.

Petróleo e rotação global

Além dos juros, analistas destacam o impacto da alta do petróleo, do isolamento geopolítico brasileiro em relação aos conflitos globais e do nível ainda elevado da Selic. Os preços da commodity subiram para acima de US$ 100 (R$ 515), favorecendo empresas brasileiras do setor.

Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP, afirmou que o país também se beneficia por ser exportador de petróleo e por apresentar menor exposição geopolítica. Ela citou ainda o fluxo estrangeiro para o setor de data centers. Em maio, a Ascenty anunciou investimento de R$ 30 bilhões no interior de São Paulo.

A estrategista também relaciona o movimento à perda de força do chamado trade de inteligência artificial, que concentra investimentos em empresas de tecnologia. Com menos novidades após a temporada de balanços nos Estados Unidos, parte dos recursos pode se voltar a outros mercados. “Toda vez que o trade de IA perde um pouco de força, o Brasil se beneficia”, disse Rachel.

Para 2027, a ferramenta do CME Group precifica a possibilidade de os juros americanos chegarem a 4,5%, enquanto o Boletim Focus projeta Selic de 12% no Brasil. O mesmo boletim, em sua edição mais recente, do último dia 14, estima crescimento de 1,45% do PIB em 2027, ante 1,89% no fim de 2026.

Álvaro Frasson, estrategista macro do BTG Pactual Portfolio Solutions, afirma que a desaceleração da economia brasileira pode abrir espaço para juros menores. Ele ressalta, porém, as incertezas relacionadas ao petróleo, ao ciclo de alta do Fed, ao câmbio e à política fiscal para os próximos anos, em razão das eleições.

Renda fixa ainda concentra interesse

Mesmo com a queda, a Selic em 13,75% mantém a renda fixa brasileira atrativa, principalmente em investimentos pós-fixados. Nos Estados Unidos, o rendimento do Treasury de dois anos alcançou 4,745% no pico da semana, o maior nível desde 2024, em meio à expectativa de juros mais altos.

A alta dos rendimentos reduz os preços dos títulos, pois os dois movimentos ocorrem em direções opostas. No Brasil, a expectativa de continuidade dos cortes da Selic aumentou o interesse por títulos prefixados, que permitem fixar uma taxa antes de uma eventual queda dos juros.

Rachel de Sá afirmou que a XP elevou a exposição a essa classe no início de setembro, diante da expectativa de continuidade do ciclo de redução e da avaliação de que as taxas oferecem prêmio. Frasson, do BTG Pactual, considera os pós-fixados uma alternativa diante das incertezas externas e internas, incluindo as eleições em outubro.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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