São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Economia

Desconto de Itaipu derruba IPCA em agosto, mas inflação deve voltar a subir

Energia elétrica recuou 7,63% e respondeu por quase toda a deflação mensal; acumulado em 12 meses ficou em 4,22%.

Desconto de Itaipu derruba IPCA em agosto, mas inflação deve voltar a subir

O desconto aplicado nas contas de energia elétrica após o Bônus de Itaipu levou o IPCA a registrar queda de 0,32% em agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As faturas emitidas entre 1.º e 31 de agosto tiveram redução de 7,63% no preço da eletricidade, que sozinha retirou 0,33 ponto porcentual do índice.

O resultado marcou a deflação mais intensa para agosto desde 2022, quando a taxa havia recuado 0,36%. Fernando Gonçalves, responsável pela pesquisa do IBGE, afirmou: “A taxa é a menor desde agosto de 2022, tanto para o mês quanto historicamente”. Em julho, o IPCA havia avançado 0,07%.

Energia concentra o impacto

O Bônus de Itaipu é um crédito calculado a partir da conta de comercialização da usina hidrelétrica. Sem a influência da energia elétrica, o IPCA teria ficado praticamente estável em agosto, com alta estimada de 0,01%, segundo cálculo do técnico do IBGE.

O grupo Habitação caiu 1,87%, menor resultado para um mês de agosto desde o início do Plano Real. O efeito do desconto, porém, é restrito ao mês. Para setembro, o IBGE prevê pressão de reajustes em itens como água, esgoto e gás encanado, além da continuidade da bandeira tarifária amarela nas contas de luz.

Transportes, Alimentação e bebidas e Comunicação também apresentaram deflação, com quedas de 0,86%, 0,34% e 0,09%, respectivamente. Os recuos mais intensos entre os produtos foram os da batata-inglesa, de 19,89%, da cenoura, de 11,22%, da cebola, de 11,07%, do tomate, de 10,94%, do ovo de galinha, de 4,15%, e do café moído, de 1,86%.

A Alimentação, grupo de maior peso no IPCA, contribuiu negativamente com 0,07 ponto porcentual. Excluindo energia elétrica e Alimentação, a taxa teria sido de 0,11% no mês, conforme Gonçalves.

Acumulado e Selic

A inflação acumulada no ano chegou a 3,11%. Em 12 meses até agosto, ficou em 4,22%, abaixo do teto da meta, de 4,5%, ante 4,44% em julho. O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou a meta em 3%, com intervalo de tolerância de 1,50% a 4,50%, perseguida pelo Banco Central.

Para a Capital Economics, a inflação mais fraca e a perda de tração da economia mantêm aberta a possibilidade de corte de 0,25 ponto porcentual na Selic, de 14% para 13,75%, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana que vem. A consultoria avalia que a inflação deve acelerar novamente e que o Banco Central pode pausar o ciclo em novembro e dezembro.

O Bradesco disse que o IPCA recuou mais do que esperava em agosto, com moderação dos núcleos, mas manteve a projeção de alta de 5% para a inflação de 2026, citando a pressão de alimentos nos próximos meses.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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