São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Economia

Queda do IPCA mantém mercado à espera de redução da Selic para 13,75%

Inflação recuou 0,32% em agosto, enquanto analistas avaliam novos cortes e destacam a desaceleração da atividade econômica.

Queda do IPCA mantém mercado à espera de redução da Selic para 13,75%

A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para terça-feira (15) e quarta-feira (16) ocorrerá sob a expectativa de que a Selic seja reduzida em 0,25 ponto percentual. A taxa básica está em 14% ao ano e, se a previsão se confirmar, cairá para 13,75%, no quinto corte consecutivo dessa magnitude.

O cenário ganhou força após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar, nesta sexta-feira (11), que o IPCA recuou 0,32% em agosto. A queda foi influenciada principalmente pela redução da conta de luz, que recebeu o efeito temporário do bônus de Itaipu. Passagens aéreas, parte dos alimentos e combustíveis também registraram baixa.

Para Leonardo Costa, economista da instituição financeira Asa, o resultado dos preços, combinado com os dados de atividade disponíveis, sustenta uma nova redução dos juros. Esses indicadores vêm apontando perda de ritmo. A instituição revisou a projeção para o IPCA de 2026 de 5% para 4,8%, embora tenha mantido riscos relacionados a fatores climáticos associados ao El Niño e a possíveis impactos sobre alimentos e energia.

A atividade econômica também aparece nas avaliações sobre a política monetária. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,5% no segundo trimestre, abaixo da expansão de 1,1% registrada nos três primeiros meses do ano.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, afirmou que a combinação entre o alívio recente da inflação e o comportamento favorável do câmbio deve levar o Banco Central a reduzir a Selic para 13,75% ao ano. A projeção da economista é de manutenção desse nível até o fim de 2026.

Gabriel Pestana, da Genial Investimentos, também não alterou a expectativa de corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião e prevê juros em 13,75% ao final de 2026. Basiliki Litvac, da XP, considera possível uma extensão do ciclo de redução e estima a Selic em 13,25% no encerramento de 2026, diante de sinais de desaceleração econômica e de leituras recentes mais favoráveis da inflação.

Felipe Queiroz, economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), avalia que os dados do IPCA não justificam a taxa atual. Para ele, os juros em 14% desestimulam investimentos e consumo e prejudicam o crescimento sustentável no médio e no longo prazos.

Em 12 meses até agosto, o IPCA acumulou alta de 4,22%, abaixo dos 4,44% registrados até julho. Foi o segundo mês consecutivo em que o índice ficou abaixo do teto de 4,5% da meta perseguida pelo Banco Central. Ainda assim, os serviços subjacentes, que excluem itens mais voláteis, como passagens aéreas, acumulam alta de 5% em 12 meses.

A meta tem centro em 3% e intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Ela é considerada descumprida quando o IPCA acumulado permanece fora desse intervalo por seis meses seguidos de divulgação.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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