São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Carbono Oculto mira estrutura ligada à aquisição da distribuidora Terrana

Terceira fase investiga movimentação de R$ 11,6 bilhões e alcança empresas, fintechs, fundos e pessoas ligadas ao setor financeiro.

Carbono Oculto mira estrutura ligada à aquisição da distribuidora Terrana

O Gaeco, do Ministério Público de São Paulo, e a Receita Federal deflagraram nesta quinta-feira (24) a terceira fase da Operação Carbono Oculto. A investigação apura o uso de empresas e estruturas financeiras para lavar dinheiro no setor de combustíveis e identificar os responsáveis pelo controle da distribuidora Terrana.

Segundo o Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal, o grupo investigado teria movimentado R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. Os recursos teriam circulado por empresas, fintechs, fundos de investimento e operações financeiras destinadas a fragmentar valores e dificultar a identificação de sua origem e de seus beneficiários.

A operação cumpriu 29 mandados de busca e apreensão em sete estados, envolvendo 24 empresas e 13 pessoas físicas. O foco desta etapa é a estrutura que teria sido utilizada para ocultar o controle da Tobras Distribuidora de Combustíveis, conhecida como Terrana, adquirida com recursos que passaram por diferentes empresas.

Estrutura financeira investigada

A apuração busca esclarecer quem controlava os ativos e as empresas envolvidos, a origem do dinheiro e os mecanismos usados para movimentá-lo. A suspeita é de que investimentos de fachada e operações financeiras atípicas tenham sido usados para fragmentar recursos e dissimular seu destino.

De acordo com o Ministério Público de São Paulo, uma usina sucroalcooleira teria participado da estrutura de aquisição da distribuidora. Cerca de R$ 100 milhões teriam transitado por contas de empresas e fintechs antes de chegar à Terrana.

Os investigadores também identificaram aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios da distribuidora na Justiça. Segundo o Ministério Público de São Paulo, uma financeira sob investigação adquiriu esses direitos por meio de um FIDC controlado pelo mesmo grupo proprietário da Terrana.

Entre os alvos estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, e seus irmãos, André e Bruno Tupinambá. O banco informou que Humberto foi destituído em maio de 2026 e que forneceu informações ao Gaeco. Também declarou que “a instituição adotou medidas adicionais de governança e controle, incluindo a instauração de inspetoria interna e a revisão da governança das operações de crédito”.

Entre Investimentos

A Entre Investimentos, ligada ao empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, também aparece entre as empresas citadas. O empresário tem ligações com Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou a companhia como “entidade-chave da lavanderia do sistema financeiro nacional” e afirmou que o esquema teria movimentado R$ 11,6 bilhões. A investigação também relaciona o Grupo Entre ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Em delação premiada firmada com a Procuradoria-Geral da República, Mineiro declarou que enviou recursos ao exterior para financiar a produção.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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