São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Operação mira Banco Genial e suspeitos de ocultar donos da distribuidora Terrana

Buscas atingem 32 endereços em sete unidades da Federação e investigam fundos, empresas e executivos ligados à compra da Terrana.

Operação mira Banco Genial e suspeitos de ocultar donos da distribuidora Terrana
Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Promotores, policiais e auditores fiscais realizam nesta quinta-feira, 24, buscas em 32 locais de onze cidades, distribuídos por seis estados e pelo Distrito Federal. A Operação Crédito Oculto investiga um esquema de lavagem de dinheiro associado à máfia dos combustíveis e a pessoas apontadas como ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Entre os 40 alvos estão Humberto Tupinambá, sócio proprietário do Banco Genial; Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro e delator do Banco Master; e o Grupo Entre. A empresa teria sido usada por Daniel Vorcaro para enviar US$ 12,33 milhões destinados ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As buscas foram solicitadas pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e autorizadas por Sandro Nogueira de Barros Leite, juiz da 2.ª Vara Criminal de Catanduva. A operação ocorre em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e no Distrito Federal.

Estrutura investigada

A apuração usa contratos, documentos, mensagens e áudios apreendidos na primeira fase da Operação Carbono Oculto. O material busca demonstrar como Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, teriam ocultado patrimônio para comprar a distribuidora de combustíveis Terrana.

A empresa, sediada no Rio de Janeiro, chegou a estar entre as dez maiores distribuidoras do país. A aquisição teria custado até R$ 153 milhões. Beto Louco e Primo estão foragidos desde 28 de agosto de 2025, quando tiveram a prisão decretada no Paraná.

Segundo as investigações, a compra foi estruturada com fundos e empresas para esconder os verdadeiros proprietários. A Terrana, nome fantasia da Tobrás Distribuidora de Combustíveis, teve as atividades suspensas pela Justiça do Rio em 9 de julho. Em 2024, registrava faturamento mensal de R$ 445 milhões e capital social de R$ 245 milhões.

O Banco Genial teria participado da estrutura financeira usada para dissimular a origem dos recursos. Os investigadores descrevem “um intrincado esquema de lavagem de capitais com a articulação dolosa entre múltiplos agentes”, envolvendo nove fundos de investimentos e 27 empresas. Bens de 16 dessas empresas foram tornados indisponíveis por decisão judicial.

A operação também envolve Rogério Garcia Peres, sócio e fundador da administradora de fundos Altinvest, e Paulo Narcélio Simões do Amaral. De acordo com os promotores, Narcélio teria emprestado o nome para empresas utilizadas na compra da distribuidora e na ocultação de imóveis.

Fundos e transferências

Uma das estruturas investigadas envolvia o Fundo Celebration, administrado pela Reag, cujo único cotista era a empresa Insight participações, registrada em nome de Himad Mourad, primo de Mohamad. Outra usava o Radford Fundo de Investimentos Multimercado, administrado inicialmente pela Altinvest e depois transferido para o Banco Genial, com a Altinvest na função de cogestora.

O Radford tinha como cotista a usina sucroalcooleira Itajobi, no interior paulista. Por meio do Grupo Aster, os empresários teriam enviado R$ 100 milhões à usina, além de R$ 20 milhões recebidos da Entre Investimentos, empresa de Freixo.

Na sequência, o dinheiro teria sido transferido ao Banco Genial por meio de Certificado de Depósito Bancário Vinculado (CDBV). O banco teria repassado os recursos a Berna e Branson por meio de uma Cédula de Crédito Bancário (CCB). Os pagamentos previstos somariam R$ 150 milhões, em depósitos semestrais de R$ 18,7 milhões.

O banco informou que as cotas do Radford somavam cerca de R$ 169,7 milhões quando a Operação Carbono Oculto foi deflagrada. Também afirmou que aprovou o empréstimo com base na reputação de Narcélio no mercado, embora Berna e Branson tivessem sido constituídas um mês antes, com capital social de R$ 1 mil, no mesmo endereço usado por empresas ligadas a Mohamad Mourad em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.

Mensagens encontradas no celular de Narcélio indicariam a participação de Humberto Tupinambá e de seus irmãos André e Bruno na estrutura investigada. O material também registraria negociações sobre a compra da Terrana, cujo preço teria sido discutido entre R$ 93 milhões e R$ 153 milhões.

Os promotores afirmam que a atuação do Banco Genial teria ultrapassado a operação financeira. A investigação ainda aponta que André e Bruno foram remunerados pela Aster, empresa atribuída à máfia dos combustíveis. As defesas dos investigados não foram localizadas ou não responderam às solicitações.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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