São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Turismo chinês cresce no Brasil, mas enfrenta barreiras de pagamento e idioma

O Brasil recebeu 113.228 turistas chineses entre janeiro e agosto, mas ainda oferece poucos serviços adaptados a esse público.

Turismo chinês cresce no Brasil, mas enfrenta barreiras de pagamento e idioma

O Brasil recebeu 113.228 turistas chineses entre janeiro e agosto, alta de 73,3% em relação ao mesmo período do ano passado, informou a Embratur. Em oito meses, o volume superou o total registrado em 2025 inteiro. O mercado chinês foi o que mais cresceu entre os visitantes estrangeiros, enquanto a entrada total de estrangeiros ficou estável, em 6,45 milhões.

O avanço ocorre a partir de uma base ainda pequena. Em 2019, a China era um mercado marginal para o turismo brasileiro. O país recebeu 2,2 milhões de argentinos no período citado, enquanto os chineses representaram 113 mil desembarques. A avaliação de Theo Paul Santana, fundador da Destino China, é que a taxa de crescimento merece atenção porque o tamanho do mercado pode aumentar rapidamente.

Perfil e barreiras

Segundo Santana, o visitante chinês que chega ao Brasil costuma ter entre 30 e 45 anos e viajar em dupla ou em família pequena. Ele planeja o roteiro no Xiaohongshu e chega ao país com informações sobre cafeterias, mirantes e restaurantes. Também espera realizar pagamentos pelo celular, usando Alipay ou WeChat Pay, e encontrar atendimento em mandarim.

A falta desses recursos pode reduzir o consumo. O viajante encontra dificuldades quando o estabelecimento aceita apenas cartão ou Pix, não oferece informações em sua língua ou não está presente nas plataformas digitais usadas na China. Santana cita Trip.com, Xiaohongshu e Dianping como canais relevantes para reservas, escolha e avaliação de serviços.

Parte dos chineses contabilizados pela Embratur também viaja a trabalho. A BYD constrói uma fábrica na Bahia, enquanto a GWM produz no interior de São Paulo. Empresas chinesas atuam ainda em portos, redes elétricas, petróleo, mineração e energia solar e eólica no Nordeste. Engenheiros, técnicos, diretores, fornecedores e auditores entram na mesma estatística dos turistas.

Esse público tende a permanecer mais tempo, gastar mais por dia e retornar ao país, segundo Santana. Ele também relaciona a presença do Rio Grande do Sul em terceiro lugar no ranking de desembarques, à frente de Paraná e Santa Catarina, às atividades chinesas no Sul, além do turismo.

Medidas para atender ao público

Santana defende três frentes: aceitar Alipay e WeChat Pay, divulgar serviços em mandarim nas plataformas utilizadas pelos chineses e oferecer atendimento no idioma. As duas plataformas de pagamento já operam com adquirentes locais, e a integração pode ser feita por QR Code.

A comunidade chinesa no Brasil tem mais de 200 mil pessoas, e universidades formam profissionais em mandarim. Para o autor, esses recursos poderiam ser usados por hotéis, restaurantes e órgãos de turismo.

A Embratur atribui o crescimento à queda no preço das passagens, às parcerias com operadores e ao Ano Cultural Brasil-China, que inclui um festival em Pequim para agentes de viagem locais. Santana acrescenta que a classe média chinesa busca destinos mais distantes depois de viajar por Tailândia, Japão, Coreia e Cingapura.

Na avaliação dele, o Brasil disputa esse fluxo com destinos da África e da América do Sul. Futebol, carnaval, Amazônia e a presença da BYD são referências que ajudam os chineses a identificar o país. O desafio, afirma, é transformar esse interesse em permanência e consumo no Brasil.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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