São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

Empresário ligado a Vorcaro é investigado por remessas para filme sobre Bolsonaro

Antônio Carlos Freixo Júnior é alvo da terceira fase da Operação Carbono Oculto e de apurações sobre lavagem de dinheiro e transferências internacionais.

Operação Carbono Oculto mira operador de Vorcaro conhecido como ‘pioneiro nas Bahamas’ e ligado a Dark Horse

Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, passou a ser investigado na terceira fase da Operação Carbono Oculto, que cumpre mandados contra suspeitos de envolvimento em esquemas de lavagem de dinheiro ligados à máfia dos combustíveis. Dono da Entre Investimentos, ele é apontado como o principal operador financeiro de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master.

A operação também alcançou endereços associados a executivos do mercado financeiro, entre eles Humberto Arthur Tupinambá Neto, diretor do Banco Genial, e seus irmãos André e Bruno Tupinambá. Freixo assinou recentemente um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito do Caso Master e já era citado em investigações da Polícia Federal (PF) encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Remessas para produção audiovisual

Em relatórios enviados ao STF, a PF e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) afirmaram que Freixo “não é um intermediário financeiro de perfil convencional”. O empresário também era conhecido como “pioneiro nas Bahamas” por sua atuação na montagem de estruturas financeiras offshore no país caribenho.

No acordo de colaboração, Freixo declarou ter feito sete remessas internacionais em 2025, no total de US$ 12,3 milhões, para o fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos. Administrado por Paulo Calixto, próximo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o fundo foi usado para financiar a produção de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro (PL). Segundo o delator, os pagamentos foram feitos a pedido de Daniel Vorcaro.

A PF encontrou no celular de Vorcaro um contrato que previa investimento de US$ 24 milhões no filme, em 14 parcelas. Os valores identificados nas transferências entre a Entre Investimentos e o Havengate coincidiam com as quantias previstas no documento. Em uma conversa interceptada, Vorcaro orientou que os pagamentos fossem feitos “via Entre”. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também é investigado pelo STF por diálogos em que solicitava recursos a Vorcaro para viabilizar a produção.

Apurações no Brasil e nas Bahamas

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) apontou possíveis fraudes relacionadas a loterias e apostas. Segundo a representação enviada à Justiça, Freixo ganhou 570 vezes entre janeiro de 2020 e junho de 2025, acumulando R$ 176 milhões. A suspeita é que ele tenha organizado uma rede para lavar recursos de origem ilícita de clientes.

Embora o empresário tenha histórico de atuação no Caribe, os pagamentos do filme partiram da Entre Investimentos, no Brasil, para a estrutura nos Estados Unidos. Em apuração paralela, relatórios do Coaf indicam que Vorcaro movimentou US$ 89,6 milhões, cerca de R$ 455 milhões, nas Bahamas entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025. As operações envolveram a corretora Mosaic Financial e foram sinalizadas por suspeitas de corrupção, falta de propósito econômico e uso de recursos de origem duvidosa.

A PF pediu ao STF a abertura de um inquérito específico para investigar lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e crimes relacionados ao financiamento internacional da produção audiovisual.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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