Os Ministérios do Planejamento e da Fazenda elevaram de 14,16% para 14,22% a projeção para a taxa Selic acumulada em 2026. A nova estimativa consta do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do 4º bimestre, divulgado nesta quinta-feira, 24.
A revisão ocorre após a decisão mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Na reunião realizada entre 15 e 16 de setembro, o colegiado reduziu a taxa básica em 0,25 ponto porcentual, de 14,00% para 13,75% ao ano. Em documento divulgado em 22 de setembro, o Copom afirmou que o ambiente era marcado por aumento significativo da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em relação ao cenário base. O comitê indicou serenidade e cautela na condução da Selic.
A estimativa para o câmbio médio deste ano permaneceu em R$ 5,16. Já a previsão de crescimento da massa salarial nominal caiu de 10,03% para 9,82%. No mercado internacional, a projeção para o preço médio do barril de petróleo avançou de US$ 79,16 para US$ 87,7.
Inflação e cenário externo
O relatório do 4º bimestre reduziu as projeções para o IPCA e o INPC acumulados. A estimativa para o IPCA passou de 5,08% no 3º bimestre para 4,92%. Antes, havia sido de 3,74% no 1º bimestre e de 4,49% no 2º bimestre. Para o INPC, a previsão recuou de 5,30% para 5,12% entre o 3º e o 4º bimestres.
Na terça-feira, 22, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda atualizou as projeções para este ano e os cálculos sobre os impactos do conflito no Oriente Médio na economia brasileira. A atualização ainda não incorporou possíveis efeitos do reajuste do Bolsa Família anunciado em 17 de setembro.
A SPE passou a considerar o conflito entre Estados Unidos e Irã uma condição persistente, e não apenas um choque pontual. A secretaria relacionou a volatilidade do Brent e a redução dos estoques globais a uma menor capacidade de absorção de novos choques pela economia brasileira.
Para 2026, a secretaria reduziu a projeção do IPCA de 5,1% para 4,9%, ainda acima do teto da meta de 4,5%. A estimativa coincide com a mediana das expectativas do mercado financeiro, de 4,92%, conforme o Boletim Focus.








