BRASÍLIA — O Ministério da Fazenda reduziu de 5,1% para 4,9% a previsão para o IPCA de 2026. Mesmo com a revisão, a estimativa permanece acima do teto da meta, de 4,5%. Para este ano, a projeção da Secretaria de Política Econômica (SPE) coincide com a mediana do último relatório Focus, de 4,92%.
A secretaria atribui a mudança aos resultados do IPCA até julho, que ficaram parcialmente abaixo do esperado na projeção anterior, sobretudo nos preços de alimentação no domicílio e, em menor grau, nos serviços. O cenário também considera expectativas de inflação melhores para 2026, a permanência da Selic em nível contracionista durante o ano e a perda de ritmo prevista para a atividade econômica no segundo semestre de 2026.
A projeção não inclui as medidas recentes de alívio nos preços dos combustíveis, como a desoneração temporária de impostos. Entre os riscos de alta, a SPE afirma que o El Niño pode pressionar os alimentos in natura ainda este ano, embora os efeitos mais relevantes sejam esperados na safra de 2027.
PIB e atividade
O Boletim Macrofiscal de setembro também reduziu a previsão de crescimento do PIB brasileiro em 2026, de 2,3% para 2%. Para 2027, a estimativa passou de 2,5% para 2,3%. As projeções do governo continuam acima das medianas do Focus, que apontam expansão de 1,88% em 2026 e de 1,43% em 2027.
A SPE estima crescimento interanual de 1,8% no terceiro trimestre de 2026, abaixo dos 2% registrados no segundo trimestre. A desaceleração refletiria o desempenho da agropecuária, cuja expansão projetada recua de 6,8% para 3,7%, e da indústria, de 1,5% para 1,3%.
Com ajuste sazonal, a projeção para o PIB no terceiro trimestre é de avanço de 0,2%. Nesse cálculo, o agro recua 0,7%, enquanto a indústria cresce 0,6% e os serviços, 0,4%. A SPE diz que o mercado de trabalho, com desocupação em patamar historicamente baixo e massa real de rendimentos em expansão, sustenta a demanda doméstica. As concessões de crédito a pessoas jurídicas também avançam na comparação interanual.
Pressões externas
Entre as projeções de julho e setembro, a SPE elevou de US$ 79,16 para US$ 87,70 por barril o preço médio do petróleo esperado para 2026, alta de aproximadamente 10,8%. A secretaria relaciona a revisão à intensificação do conflito no Oriente Médio e às incertezas sobre os efeitos da alta do petróleo em outras cadeias produtivas.








