Segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Brasil

PGR pede investigação sobre atuação de André Mendonça na Polícia Federal

Paulo Gonet informou ao STF que quer apurar possível interferência externa na elaboração de relatório sobre mensagens de Daniel Vorcaro.

PGR pede investigação sobre atuação de André Mendonça na Polícia Federal
Foto: Carlos Moura/STF

A Procuradoria-Geral da República pediu a abertura de uma apuração sobre a atuação do ministro André Mendonça na Polícia Federal. A informação foi encaminhada ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, pelo procurador-geral Paulo Gonet.

Segundo Gonet, Mendonça determinou a produção de um relatório sobre mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades sem comunicar o Ministério Público. Entre os citados como alvos da investigação estão o ministro Alexandre de Moraes, o próprio procurador-geral e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Na manifestação enviada a Fachin, Gonet afirmou que a decisão relacionada ao caso foi mantida fora do conhecimento do Ministério Público, impedindo o controle externo da atividade policial. Ele pediu que seja examinada “a possível ocorrência de ordem ou interferência externa em sua elaboração, que tenha maculado seu conteúdo”. Embora o documento não mencione nominalmente Mendonça, a referência é à conduta do ministro.

Fachin havia solicitado manifestações da PGR, de Mendonça, Moraes e da Polícia Federal em cinco dias. O presidente do STF também assumiu a relatoria da investigação sobre Mendonça.

Relatório e apurações

O relatório elaborado pela PF tem 218 páginas e foi enviado a Mendonça. O documento menciona conversas de Gonet com Vorcaro, acusado de fraudes de R$ 12 bilhões contra o sistema financeiro nacional. As mensagens, trocadas por meio de um intermediário, incluem uma declaração do procurador de que sentia saudade do banqueiro.

O texto também relata um convite aceito por Gurgel para uma degustação de uísque e charutos em Londres, custeada por Vorcaro. Moraes e o ministro Dias Toffoli também estavam presentes, segundo o relato.

O Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu procedimento para examinar a conduta de Gonet. A decisão foi tomada nesta quinta-feira, 3, após pedido do Partido Novo.

Moraes incluiu Mendonça no inquérito das fake news depois que o relatório da PF se tornou público. Alegou parcialidade na condução de investigações ligadas ao Banco Master e a desvios envolvendo aposentados do INSS. Também sustentou que a determinação para produzir o relatório rompeu a cadeia de custódia e prejudicou a obtenção de provas.

O documento da PF ainda registra uma minuta de contrato de R$ 129 milhões entre o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, e o Banco Master. Também menciona um contrato de R$ 50 milhões com uma empresa de Vorcaro, além do recebimento de um avião e um helicóptero pelo escritório e da emissão de cartões de crédito de R$ 300 mil para os filhos do casal.

Dois dias antes de ser preso, Vorcaro teria perguntado a Moraes se deveria deixar o país e pedido ajuda junto a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet. Nesta sexta-feira, Edson Fachin defendeu, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o encerramento do inquérito das fake news.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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