BRASÍLIA — A Procuradoria-Geral da República pediu a abertura de uma apuração sobre a atuação do ministro André Mendonça na Polícia Federal. A informação foi encaminhada ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, pelo procurador-geral Paulo Gonet.
Segundo Gonet, Mendonça determinou a produção de um relatório sobre mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades sem comunicar o Ministério Público. Entre os citados como alvos da investigação estão o ministro Alexandre de Moraes, o próprio procurador-geral e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Na manifestação enviada a Fachin, Gonet afirmou que a decisão relacionada ao caso foi mantida fora do conhecimento do Ministério Público, impedindo o controle externo da atividade policial. Ele pediu que seja examinada “a possível ocorrência de ordem ou interferência externa em sua elaboração, que tenha maculado seu conteúdo”. Embora o documento não mencione nominalmente Mendonça, a referência é à conduta do ministro.
Fachin havia solicitado manifestações da PGR, de Mendonça, Moraes e da Polícia Federal em cinco dias. O presidente do STF também assumiu a relatoria da investigação sobre Mendonça.
Relatório e apurações
O relatório elaborado pela PF tem 218 páginas e foi enviado a Mendonça. O documento menciona conversas de Gonet com Vorcaro, acusado de fraudes de R$ 12 bilhões contra o sistema financeiro nacional. As mensagens, trocadas por meio de um intermediário, incluem uma declaração do procurador de que sentia saudade do banqueiro.
O texto também relata um convite aceito por Gurgel para uma degustação de uísque e charutos em Londres, custeada por Vorcaro. Moraes e o ministro Dias Toffoli também estavam presentes, segundo o relato.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu procedimento para examinar a conduta de Gonet. A decisão foi tomada nesta quinta-feira, 3, após pedido do Partido Novo.
Moraes incluiu Mendonça no inquérito das fake news depois que o relatório da PF se tornou público. Alegou parcialidade na condução de investigações ligadas ao Banco Master e a desvios envolvendo aposentados do INSS. Também sustentou que a determinação para produzir o relatório rompeu a cadeia de custódia e prejudicou a obtenção de provas.
O documento da PF ainda registra uma minuta de contrato de R$ 129 milhões entre o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, e o Banco Master. Também menciona um contrato de R$ 50 milhões com uma empresa de Vorcaro, além do recebimento de um avião e um helicóptero pelo escritório e da emissão de cartões de crédito de R$ 300 mil para os filhos do casal.
Dois dias antes de ser preso, Vorcaro teria perguntado a Moraes se deveria deixar o país e pedido ajuda junto a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet. Nesta sexta-feira, Edson Fachin defendeu, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o encerramento do inquérito das fake news.







