São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Tecnologia

Redes sociais direcionam venda de abuso infantil para grupos no Telegram

Investigação identificou anúncios no TikTok, negociação no Telegram e pagamentos por PIX, bancos digitais e criptomoedas.

Redes sociais direcionam venda de abuso infantil para grupos no Telegram
Foto: BongkarnGraphic/Shutterstock

Criminosos usam publicações no TikTok para atrair compradores de material de abuso sexual infantil e transferem a negociação para o Telegram. Os pagamentos envolvem PIX, bancos digitais e criptomoedas, mas a Polícia Federal afirma que as transações podem ser rastreadas mesmo quando são usadas contas de terceiros.

Códigos publicados nos comentários do TikTok direcionam interessados a conversas no aplicativo de mensagens. No Telegram, os pacotes são oferecidos por valores entre R$ 10 e R$ 35. Também há cobranças em dólar: US$ 11,99, cerca de R$ 62; US$ 17,50, aproximadamente R$ 90; e US$ 25, equivalentes a cerca de R$ 130.

Antes do pagamento, os suspeitos enviam prévias em vídeos autodestrutivos, que desaparecem depois da primeira visualização. Após a confirmação, os arquivos são encaminhados em conversas individuais ou grupos privados.

Rastreamento dos pagamentos

Investigadores da Polícia Federal identificaram contas bancárias em nome de ex-namoradas e também de crianças e adolescentes vítimas dos abusos. O objetivo seria ocultar a ligação entre os autores e os recursos movimentados. A apuração encontrou ainda o uso de bancos digitais e fintechs. Em alguns casos, redes criminosas criam empresas do setor financeiro para movimentar dinheiro sem armazenar dados ou responder às autoridades.

Uma chave PIX usada em um dos casos tinha endereço de e-mail com domínio da Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul. A pasta informou que procurou as autoridades para apurar a situação.

Os dados da conta de quem realiza o pagamento ficam registrados e podem ajudar a polícia a identificar compradores. Bancos também podem bloquear contas após detectar transações atípicas ou operações feitas a partir de regiões diferentes.

Denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, de forma anônima, pelo 190 da Polícia Militar em situações de risco imediato, pelo 192 do Samu em pedidos urgentes de socorro, em delegacias e unidades especializadas, além do Ministério Público e de outros canais oficiais.

O Telegram informou que removeu 339.760 grupos e canais relacionados a esse conteúdo em 2026. “A distribuição de material de abuso sexual infantil é expressamente proibida pelos termos de serviço do Telegram”, afirmou a empresa.

O TikTok disse que remove rapidamente esse tipo de publicação e bane permanentemente as contas envolvidas. A plataforma afirmou que removeu proativamente 99,8% dos conteúdos que violaram suas políticas sobre abuso sexual e físico de jovens no primeiro trimestre de 2026.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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